Este espaço foi pensado para divulgar e discutir a Cidade de Ipu/CE de uma forma bem espontânea, através de crônicas, causos, versos, além de opiniões e comentários diversos, tanto do autor, quanto dos nossos visitantes. O blog IPU EM CRÔNICAS E VERSOS, embora com muita humildade, busca também promover as peculiaridades do Nordeste através do cordel, uma das expressões mais originais de nossa cultura. Sejam todos bem-vindos! (Ricardo Aragão)


29 de março de 2010

NOSSO IPU É UMA TERRA DE RESPEITO

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MERECE TODA NOSSA GRATIDÃO!








Eu fico triste em ver a minha terra,
Vítima nas mãos dessa gente má.
Para quem é filho desse bom lugar,
Encravado no pé da grande serra,
Todas as lembranças ele enterra
Ao constatar com dor no coração,
Que botaram abaixo um casarão.
Como pode maldade desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Essa tristeza é ainda bem maior
Olhando para nossa bela Bica,
Que todo mês de setembro ela fica,
Fica tão seca ou por certo bem pior.
Sem o seu véu na pedra nua dá é dó!
Retorna aquela dor no coração.
Haverá nesse mundo um só cristão,
Que queira ver a Bica desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Quando descemos um pouco a ladeira,
Vemos, cá mais pra baixo, o Ipuçaba.
Que tal qual nossa Bica, já se acaba,
Pois a coisa não tá pra brincadeira.
Talvez estejamos na derradeira
Linhagem, família ou geração,
Que terá esse riacho em seu torrão.
Nosso lugar jamais será perfeito!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Como se não bastasse tal cenário,
Com essas perdas tão preocupantes,
Os valores que já tivemos antes
Ficam mais lá no fundo do armário.
O jovem não tem mais itinerário.
Cada dia tá ficando mais bobão.
Passa o tempo ouvindo um “paredão”!
Como pode dar certo desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Outro dia, ao passar por uma calçada,
Das rodas de conversas recordei.
Eram assuntos que nem mais eu sei.
Mas me lembro de tantas gargalhadas
E daquelas conversas engraçadas,
Contadas no sopé daquele oitão.
Volta de novo a dor no coração,
Da saudade que me bate no peito.
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Entristeço em ver minha cidade,
Com jovens sem história pra contar.
Nem da Iracema poderão falar!
E que mesmo cursando faculdade,
Cometem na vida grande maldade.
Pois esquecem, cada um, ser guardião
Das coisas boas deste nosso torrão.
Mas será mesmo se isso está direito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!



Ricardo Aragão
Ipu, março/2010




Foto e Edição:
Ricardo Aragão


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12 de março de 2010

COM A MORTE NÃO SE BRINCA

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... NEM COM A DALINHA CATUNDA








“Passei minha vida inteira
Sem lembrar do meu caixão.
Eis-me agora impassível,
Híspido, fincado no chão.
Só espero que na vida
Que deixou de ser vivida,
Eu tenha sido um bom irmão!”
(Ricardo Aragão)


Ao escrever estes versos,
Sem nenhuma pretensão,
Nem sequer imaginei
Causar qualquer confusão.
Pois num é que a Dalinha
Escreveu-me algumas linhas
Pensando ser depressão!

Quem dera fosse só isso
Todo o seu argumento!
Mas era só o começo
De um enorme tormento:
“Bate na boca, safado.
Fela da mãe, abestado...
Pede perdão, seu jumento!”

Mal eu lia a mensagem,
Já chegava outro recado.
Era a Dalinha de novo,
Toda cheia de cuidado:
“Levante logo a cabeça
Vamos ver, me obedeça!”
Disse Dalinha ao Ricardo.

Dessa vez quase morri,
Mas de tanto gargalhar!
Imaginando a Dalinha,
Lá do Rio a me animar,
Sem saber que era trote,
Tirando onda com a morte
Antes da malvada chegar.

Em todo caso, foi legal
Toda essa brincadeira.
Pois além de preparar
A palavra derradeira,
Tirei de tempo a Dalinha,
Mas vou já ficar na minha,
Pois já vem a saideira.

Encerro logo estes versos,
Levando grande lição:
Com a morte não se brinca.
Com a Dalinha também não.
Por isso, me despedindo,
À madrinha vou pedindo
Sua bênção e seu perdão.




Ricardo Aragão
Ipu(CE), Mar/2010


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11 de março de 2010

MEU EPITÁFIO

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Passei minha vida inteira

Sem lembrar do meu caixão.

Eis-me agora impassível,
 
Híspido, fincado no chão.

Só espero que na vida

Que deixou de ser vivida,

Eu tenha sido um bom irmão!


Ricardo Aragão
*30/03/1970
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Ricardo Aragão
Março, 2010


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