Este espaço foi pensado para divulgar e discutir a Cidade de Ipu/CE de uma forma bem espontânea, através de crônicas, causos, versos, além de opiniões e comentários diversos, tanto do autor, quanto dos nossos visitantes. O blog IPU EM CRÔNICAS E VERSOS, embora com muita humildade, busca também promover as peculiaridades do Nordeste através do cordel, uma das expressões mais originais de nossa cultura. Sejam todos bem-vindos! (Ricardo Aragão)


8 de dezembro de 2008

A LIÇÃO DO SERTANEJO

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ENTREVISTANDO O SEU TENÓRIO






A você que nesta hora
Estes versos passa a ler
Sem ter muito interesse
Espere para entender
Pois eu vou lhe avisando
Vá logo se preparando
Pra uma lição receber

Estas mal postadas rimas
Podem até não ter valor
Para aquele que se acha
Um empresário ou doutor
Porém pro cabra da peste
Que de gibão só se veste
Elas têm muito valor

Pois o povo do sertão
Que passa dificuldade
Que na roça lavra o chão
Sem qualquer facilidade
E sem ter divertimento
Vive nesse tormento
Sem lamento e sem maldade

Para esse povo é que faço
Este poema simplório
Por isso mantendo a rima
Mudarei o repertório
Passarei a relatar
A história d’um lugar
E do sertanejo Tenório

Seu Tenório dê licença
Vim aqui lhe perturbar
Vou fazer umas perguntas
Quero ouvir você falar
Me conte dessa sua lida
E da sua forma de vida
Para eu documentar

Seu dotô preguntadô
No que eu posso ajudá
Eu tenho pôco istudo
Vós mincê há de notá
Mode o jeito que eu falo
Mas se for nesse imbalo
Passe logo a preguntá


Eu me chamo Aragão
Sou escritor de cordel
E preciso entender
Pra colocar no papel
Essa vida do sertão
E também do coração
Do sertanejo fiel

Muito prazê iscritô
Dos verso mais naturá
Vou lhe falar sim sinhô
Faça o favô de sentá
Que a cunversa é cumprida
Vou já lhe falar da vida
No sertão do Ciará

Nossa labuta é penosa
Se acorda de madrugada
Pra prepará um café
Prus minino e pra amada
Fazê o quebra-jejum
Imprial não tem nenhum
Pra güentá a inxada

Quando o sol vem apontando
E raiando no nascente
Eu pego o meu alforje
E saio bem de repente
Pra capinar o roçado
E mesmo muito cansado
Passo o dia bem contente

Eu sinto filicidade
E não perco a isperança
De cuiê grande fartura
Mas sem ter munta ganança
Apois não faltando o feijão
Pra nóis de cá do sertão
Já é grande abundança

Mas a lida é bem dura
Neste meu grande sertão
Que sofre com seca braba
Esturricando esse chão
As água seca dos pôço
Eu vou lhe dizer, seu moço,
Não queira esta vida não!

Aqui se pranta de tudo
Arroz, mio e fejão
Se pranta a macaxeira
E tombém o algodão
Mas no tempo de escassez
O cabra pensa de vez
Ir simbora do sertão

Porém esse pensamento
Foge logo da lembrança
Quando no fim do ano
Se apuluma a isperança
Com as tôrre no nascente
E os ráio reluzente
Com o inverno que avança

O sertanejo se anima
E cumeça a pranejá
A prepará um terreno
Pra cumeçá a brocá
Vai procurá o patrão
Com o machado na mão
Prumode ele autorizá

Prante naquele pedaço
Na solta do alazão
A terra é boa e macia
Assim disse o patrão
Mas limpe o mato com jeito
Prumode ficar sem defeito
Aquele pedaço de chão

Dessa forma o cabôco
Vai bastante alvoroçado
Amolar a sua foice
E também o seu machado
E pra solta vai tocar
Levando seu patuá
Com zelo e muito cuidado

Leva também o seu fio
Que já se tornou rapaz
Aprendendo a trabaiá
Vendo o que seu pai faz
Na lida de todo dia
Era a lição que valia
Pra mostrá que é capaz

Assim começa a peleja
Como tudo aqui no norte
Porém oiando o nascente
E vendo o chegá da sorte
Com a barra preparando
E o inverno avizinhando
Se isquece inté da morte!

A broca cumeça cedo
Pau fino, garrancho e tora
A inxada e o machado
Num para nenhuma hora
E assim vamu levando
Um eito deste tamanho
E adispois vamu simbora

O sol já esconde a cara
É chegado o intardicê
Os cabra recói os ferro
Já querendo ismurecê
Apois a lida foi dura
Só farinha e rapadura
Foi o nosso dicumê!

E assim seguimo a vida
Trabaiano o dia intêro
Oiando para o nascente
E pidindo pra São Pedro
Nos trazê muita bonança
Nunca morre a isperança
Desse povo brasilêro


Seu Tenório, então me diga,
Me fale com experiência.
E quando chega o inverno,
Como fica essa vivência?
Pois a lida continua.
É fato, não atenua.
Narre sua existência.

Fica tudo uma maravia
Quando chove no sertão!
Das simente qui prantamo
Na solta do alazão
A perda foi bem pequena
Até vou tirar uma renda
E mandá para o patrão

Agora temo fartura
Arroz, mio e fejão
Dá inté pra ingordá
Umas quatro criação
Na panela tem comida
As coisa boa da vida
O cabra tira é do chão

E a sobra vou vendê
E com o dinhêro comprá
Um retaio pra muié
Se vistir e se arrumá
O terrêro vou varrê
E o forró vai é cumê
Inté o dia raiá!

E agora seu dotô
Penso que já respondi
As pregunta que me fez
Do que sei, do que vivi
Da vida dura do norte
Deste cabôco forte
E das coisa que senti

Me adisculpe o mal jeito
E também a ignorança
Deste cabra do sertão
Que puxou pela lembrança
As palavra mais certêra
Da primêra à derradêra
Pra responder com elegança


Mas que nada, Seu Tenório,
Por ser cabra do sertão,
Não torna sem importância
As respostas dadas não.
Pois mesmo sem expressar
Um correto linguajar,
O senhor me deu lição!

Me mostrou que nesta vida,
Seja pobre ou doutor,
A correta atitude,
A que tem grande valor,
É o que se trás no peito,
Tendo sempre o respeito
Pelo que se tem amor.

O senhor também me fez
No ser humano apostar.
Com sabença ou sem estudo,
Isso não vai importar.
Pois pra ser conhecedor,
Sendo pobre ou doutor,
Não precisa estudar.

Basta só olhar o mundo
Com bastante atenção.
E observando tudo
Se tira grande lição.
Sem deixar a humildade,
Nem cometer a maldade
De achar que é sabidão.

Nada sei é o que eu sei,
Assim disse o pensador.
Aquele que é sabido
E se acha um doutor,
Devia ir pro sertão,
Trabalhar naquele chão
Pra saber do seu valor!

Sou Ricardo Aragão.
Já me dou por satisfeito.
E encerro este cordel,
Que mesmo sem ser perfeito,
Expressei com o coração,
Ao falar do meu sertão
Com carinho e com respeito!



Ricardo Aragão
Ipu, 08.12.2008



Edição de imagem: Ricardo Aragão
Fonte da imagem original: http://forademoda.wordpress.com/2007/07/10/a-moda-somos-nozes/


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15 de outubro de 2008

"O BANCO"

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O ASSENTO DA DISCÓRDIA!






Mas que banco é esse?!

Um banco comum de praça, situado na alameda central da Avenida Vereador Francisco das Chagas Farias, mais conhecida como “Avenida da Municipalidade” ou “Rua do Papoco”, quase na confluência com a Rua Antônio Martins, em Ipu.

A história desse banco é jocosa!

Havia algum tempo, alguns senhores, residentes próximos, adotaram o controvertido assento como o local de encontros noturnos para fins de falatório, mais precisamente politicagens. Eis que “O Banco” passou a ser cada vez mais freqüentado não apenas por aqueles senhores de mais idade, mas também por pessoas mais jovens, tanto residentes próximos como das circunvizinhanças da referida avenida e, por fim, de toda a cidade. O Banco tornara-se eclético!

Com a proximidade das eleições municipais, a roda de pessoas em torno d’O Banco aumentava a cada dia! Tanto quanto sua popularidade. Sobretudo por uma peculiaridade: a predominância, para não dizer exclusividade, de pessoas ligadas a uma determinada facção política de Ipu.

“O Banco” passou a ser o local preferido de encontros dos partidários daquele grupo e todo fato que dizia respeito à política local era tratado primeiramente n’O Banco’, depois se espalhava pelo resto da cidade. Histórias de pré-candidatos, jogadas políticas, viradas, traições partidárias, etc, tudo era assunto de primeira importância n’O Banco’. Há quem diga, inclusive, que dali saíram decisões e conchavos importantíssimos, depois deliberados mais minuciosamente em locais mais apropriados como salas de reuniões, residências de políticos, etc.

Pois não é que aquele quieto banco (juro, ele não arredou os pés dali!) se tornou peça central das acirradas disputas político-partidárias de Ipu em 2008!

Senão vejamos...

Passadas as eleições... Candidato eleito... Vereadores definidos... Tudo parecia que voltaria ao normal e, finalmente a paz reinaria novamente nas ruas de Ipu. Não fosse por um pequeno problema: a ala política que venceu as eleições majoritárias na cidade, alcunhados de “Jacarés”, não É a mesma que freqüentava “O Banco” tradicionalmente, os “Pica-paus”. Resultado: conflito!

Alguns correligionários do candidato vencedor resolveram reivindicar o direito de também usarem o famoso banco, afinal ele é público. Mas jacaré e pica-pau nunca se uniram. Quer ver? Assista ao desenho animado!

Evidentemente que “O Banco” ficou no meio das duas tropas. Literalmente!

Logo na noite seguinte à eleição, os “Pica-paus”, inclusive os adeptos d’O Banco’, ressabiados com o resultado negativo das urnas, não arredaram o pé de casa, deixando o pobre banco desguarnecido. Pronto! Foi o suficiente para a histórica “Posse do Banco” organizada pelos “Jacarés”.

Com palavras de ordem do tipo “Hô, hô, hô... esse Banco é um terror!”; “O Banco é nosso, Jacarezada!”; “Xô Passarinho!”; “Sai do Banco, Velhinho!”; entre outras, foi promovida a “Imissão de Posse” d’O Banco’.

A “Queda da Bastilha”, ou melhor, a conquista d’O Banco’, foi marcada com churrasco, bebidas, músicas da campanha vitoriosa, palavras de ordem e fogos. Uma comemoração digna dos grandes feitos! Foi festa até a madrugada de terça-feira, em plena avenida que, naquele dia, mais do que nunca, mereceu o nome de “Rua do Papoco”!

Mas, os originais “donos do banco”, não ficaram nada satisfeitos com a perda de seu ícone. E, num ato de grande ousadia, sobretudo considerando sua condição de vencidos, resolveram reclamar a “Reintegração de Posse” d’O Banco’ e partiram pro “ataque”.

“O Banco” era uma questão de honra pra “Pica-paus” e “Jacarés”!

Na noite seguinte, os “Pica-paus” recuperaram o dito cujo, aproveitando-se da displicência dos “Jacarés”, enfadados da festança.

Daquele dia pra cá, já se passaram vários dias e “O Banco” continua sendo o principal objeto de desejo das “aves” e “répteis”... em regime de “revezamento”!

Um dia “O Banco” é de um grupo. Noutro, de outro! Porém, não sem luta e muita confusão!

O lado triste dessa história hilária é a famigerada violência, pois as agressões físicas tomaram conta do espaço e, tanto de um lado como de outro, há exageros e abusos.

Como resultado, “O Banco” ganhou um novo dono: a Polícia!

Toda noite, duas viaturas da PM, repletas de policiais fortemente armados, se dirigem ao “Assento da Discórdia”, não apenas para salvaguardar o patrimônio público, mas, sobretudo, para acalmar os ânimos dos “Jacarés” e “Pica-paus” que não abrem mãos de lutarem em defesa daquele que, sem dúvida, está sendo mais disputado que a própria prefeitura: advinha quem é?

Ora bolas... “O Banco”!!!


Ricardo Aragão
Ipu/CE, 15.10.08

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24 de setembro de 2008

UNIÃO DE VERSOS

FARINHA DO MESMO SACO





Você eleitor que repete,
Que todo político é ladrão.
Mas vende ou troca o voto,
A cada nova eleição.
Você é igualzinho a eles,
Não vale nem um tostão.

Apreciei por demais
Estes versos da Dalinha,
Que para mim é capaz
De escrever mais de cem linhas
Falando do velho ou rapaz,
Que vendendo o voto se alinha
A quem a proposta lhe faz.

Filho nobre do Ipu,
Que tem o verso perfeito
Cem linhas ainda é pouco,
Mas nós temos o direito
De alertar a consciência
E apostar na decência
No que vota e no eleito.

Não custa nada lembrar,
Que atitude tão feia,
De vender ou de comprar
A consciência alheia,
Fere as leis do lugar
E leva para a cadeia
Quem assim se comportar.


Não é besteira é um fato,
Mas preste bem atenção
Tanto o eleitor safado,
Como o político ladrão
Mesmo sabendo que é feio
Quer pôr a mão no alheio
Ser gigolô da nação.

Não sei quem é mais safado
Nessa tal corrupção,
Se o eleitor iludido
Ou o político ladrão,
Que vende e compra voto
Nos tempos de eleição.


Sei que não se discute,
Política, futebol e religião.
Mas vale a pena lembrar
E mostrar a população,
Que sua arma é o voto.
Seja vivo e não devoto,
Não aceite enganação.

Mas será que o eleitor
É mesmo tão iludido?
Se vende a consciência
Ao candidato bandido;
Que paga pelo seu voto
Achando que é bonito?


Votar com consciência
É pensar em sua cidade.
Aposte então na decência
E também na qualidade
Assim ficará satisfeito
Ao eleger um prefeito
Que tenha capacidade.

Só trás atraso ao povo
E ao seu querido torrão,
Quem faz o que é errado
Em tempos de eleição:
Vender seu voto sagrado
Por merreca ou por milhão


Nem todo político é safado.
Nem todo eleitor é vendido.
Por isto faz bem estudar,
A história do escolhido.
Se for honesto, trabalhador,
Um bom cidadão de valor,
Merece ser bem sucedido.

Esse sim merece ter
Qualquer sorte infeliz,
Já que não tem o direito
De lutar pelo que quis,
Pois vendeu o bem maior
Seu direito a ser feliz.


Direito qualquer um tem,
Só não luta quem não quer.
Repito isso pra homem,
E também para mulher.
Veja bem se o candidato
É homem de cumprir trato,
E encarar o que der e vier.

A felicidade suprema
Só chega a quem acredita.
Mas um conselho eu dou:
Dê sempre boa guarida
E guarde na consciência
Os votos que deu na vida.


Os votos que na vida dei,
Foram de bom coração.
Se um dia elegi rola-bosta
Não foi esta minha intenção.
Besteira só uma vez se faz
Pois para lábia de incapaz,
Eu mesma não caio não.

Desta vida só se leva
A verdade verdadeira.
Vender ou comprar o voto
Achando que é besteira,
Em vez de subir na vida
Se desce grande ladeira.

Vender e comprar voto,
É atitude de um incapaz.
Não é bem dessa maneira
Que a boa política se faz.
Seja um honesto cidadão
Que zela bem o seu chão,
Esqueça a ambição voraz.

Ah! Que sorte tem um povo
Que escolheu um cidadão.
Que por não comprar voto
Nos tempos de eleição.
Vira um político correto,
Que merece aclamação.


Se o povo tem muita sorte
Muito mais tem o cidadão.
Que Por ser bem criado,
Pode mostrar a população.
Que com sua honestidade,
Pode dirigir uma cidade,
Um estado e até a nação.

Quem procede desta forma,
Com decência e com cuidado,
Não corrompendo ninguém,
Não deixa o povo enganado,
Merece ser bem querido,
Sendo pra sempre lembrado.


O passado de um político,
A vida que ele antes levou,
É o melhor cabo eleitoral
Para esclarecer um eleitor.
Por isso quem for decente,
Honesto e bem competente,
Posso dizer: Já ganhou!

E o povo que tiver
Um político desse porte,
Deve sempre agradecer
E se achar um povo forte,
Por ser bem representado
E ter quem lhe dê suporte.


Se você quer bom político,
Também seja bom eleitor.
Vote, mas com consciência.
Não se esqueça do seu valor.
Não se troque por telha e tijolo.
Não seja apenas um rebolo.
Esmola enfraquece o pudor.

Já aquele que não cuida
Em praticar coerência,
Deve ficar no relento
E não ter benevolência
Daquele que foi eleito
Sem usar de boa decência.


Só serei benevolente
Em matéria de eleição.
Com o cidadão honesto,
Que não suporte armação.
Que faça o sinal da cruz,
E faça oração pra Jesus
Pra se livrar de ladrão.

Já não tem mais o direito
De reclamar um pedido,
Para quem o voto vendeu
Tal direito é perdido,
Devendo se contentar
Em ser eleitor vendido.


O eleitor que se vende
É só um pobre coitado.
Que na escola da vida,
Estudou sem resultado.
Aprendeu a ser pidão,
Apóia político ladrão,
E é o puxa-saco falado.

Por tudo isso eu suplico
Ao eleitor da nação,
Que na hora de votar,
Nos tempos da eleição,
Escolha bem direitinho,
Prestando muita atenção.


Escolha eleitor amigo
Não tenha medo de errar.
Escolha usando a razão,
Não sem antes analisar,
A verdadeira condição
Desse candidato à eleição,
Que seu voto vai levar.

Pois o voto é um momento
Dos que temos mais sagrado.
Só demora um tiquinho,
Porém se votar errado
Vais esperar muito tempo
Para ser recuperado.


Esse sagrado momento,
Jamais deve ser perdido.
Seu voto é uma relíquia.
Por isso faço um pedido:
Preste bastante atenção,
Ao chegar a eleição,
Não dê seu voto a bandido.

Tanto tempo não se tem,
Pois o tempo não retorna.
O que se perde é perdido,
Já ficou fora de hora.
Como aquele voto vendido
Naquela maldita hora.


De quatro em quatro ano,
Acontece a renovação.
Não vá apertar uma tecla,
Clicando em um ladrão.
Pois fará a infelicidade,
Do povo de uma cidade
Que irá penar sem opção.

Por isso caro eleitor,
Pare, pense e repense
Muito antes de votar.
Pois no final só quem vence
É quem escolher direito
A quem o voto pertence.


Se você escolher certo,
Respeitável cidadão.
Vai trazer muita alegria
Ao seu querido torrão.
Vai viver sem embaraço,
Também não será palhaço
Servindo de mangação.

Sendo assim ganha o povo,
Uma grandiosa sorte.
De ser bem representado
Por um político forte,
Eleito pelo seu voto
Sem ter lhe dado calote.


Me Chamo Dalinha Catunda,
Também me assino Aragão.
Sou natural de Ipueiras,
E é com grande satisfação,
Que apareço com Ricardo
Escrevendo esse bocado
De versos sobre eleição.

Eu sou filho do Ipu.
Sou Ricardo Aragão.
Conhecer Dalinha Catunda
Me trouxe grande emoção!
Poetiza e Escritora,
No cordel é uma doutora,
Nunca escreve verso em vão!

Ricardo muito obrigada,
Pelo carinho e atenção.
Estamos nós dois unidos
Pois somos os dois Aragão.
A você um grande abraço.
No cordel atamos laços
Que jamais se soltarão.

Minha querida Dalinha,
A quem deixo meu apreço,
Até parece que em dias
Da vida toda a conheço.
Fique certa, minha amiga,
Que as coisas boas da vida,
Todas elas te ofereço!



Arte na capa: Chico Parnaibano


Autores:

Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

Ricardo Aragão
ricardo.boris@gmail.com

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14 de setembro de 2008

UMA DOR, UMA SAUDADE...

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Por Carmita Aragão



Por que acontecem fatos inexplicáveis?

Por que um projétil tão pequeno destruiu uma vida tão grandiosa, tão cheia de entusiasmo e alegria?

Cada dia que passa aumentam minhas indagações, pergunto-me a cada instante e não encontro respostas nem explicação.

Era vivaz, de uma alegria contagiante, bonita, cheirosa, elegante. Andava sempre chique e a alegria era sua marca registrada.

Adorava a vida, lutou com a morte várias vezes, nem o câncer tirou-lhe a alegria de viver. Submeteu-se a várias cirurgias e não temia recaída, pelo contrário, sentia-se curada. Era otimista!

Teve momentos dificílimos e soube, com altivez, galhardia e orações, vencer um a um de cabeça erguida. Sabia a quem confiar os seus segredos, a quem pedir orientação. Por que naquele dia fatídico não desabafou com ninguém? Será fatalidade?

Era sincera, espontânea, autêntica, amiga leal, tratava a todos com delicadeza e bondade. Alma caridosa, gostava de fazer o bem e estava sempre disponível para ajudar alguém.

Sua vida era um livro aberto, não tinha fingimento nem máscara.

Era carismática, o que despertou a inveja em muita gente má.

Analisando os fatos vemos que a carga de injúrias, maldades, desrespeito e sobretudo falta de temor a Deus por parte de seus algozes, foi grande demais para um ser humano suportar.

Será que as víboras, autores daqueles insultos não têm família? Às vezes os filhos pagam pelos erros dos pais, e se acontece algo de ruim a um filho o sofrimento dos pais é muito maior.

Uma consciência carcomida pela inveja e pelo desamor não possui lugar para arrependimento nem perdão.

São pobres diabos incapazes de sentimentos nobres e, como vermes, só se alimentam da podridão e da lama.

Aguardemos o passar dos dias e veremos a grande recompensa merecida.

Deus fará justiça!

Sua ausência deixou um enorme vazio, uma dor profunda, uma saudade dorida...



Homenagem à Maria do Socorro de Mesquita Martins

Por:
Maria do Carmo Cavalcante Aragão Magalhães
(Carmita Aragão)
Ipu/CE, 14/09/2008.

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8 de setembro de 2008

O FIM DAS TRADIÇÕES

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Por Antônio Tarcízio Aragão (Boris)



”Terra cheia de encantamento
E de eterna bondade,
Sempre no meu pensamento,
No meu sonho de ansiedade.
Quero cantar tua beleza
E o teu doce passado,
Terra do meu coração
E do meu amor
És toda minha adoração”...





Desfile de 26 de agosto (anos 50)


Os encantamentos estão sumindo, a bondade em vão resistindo. Somente o pensamento consegue resgatar em nossos sonhos de ansiedade, tua beleza, tua cultura e a história do teu doce passado. Terra do meu coração e do meu amor, eras toda minha adoração e hoje, infelizmente, é a minha indignação. Esta é a triste reflexão que hoje consigo fazer sobre essa linda estrofe do hino do Ipu, de autoria do ilustre ipuense Zezé do Vale.



Inauguração do Jardim 26 de Agosto (1940)


Nosso querido Ipu, hoje tomado por forasteiros descompromissados, apropriados do poder com a anuência da maioria dos teus filhos, entre os quais, felizmente não me incluo, iludidos e ludibriados pelas fictícias promessas não cumpridas de melhores dias e de progresso. Teus filhos ilustres hoje são menosprezados, teus pobres humilhados, tua história maculada com páginas negras que bem podiam ser eliminadas. Mas, não. As tuas tradições, essas sim, são brutalmente ignoradas e relegadas ao simples desprezo de quem não tem o mínimo compromisso, senão, de apenas satisfazer seus instintos perniciosos de egoísmo e vaidade. Assim como tantas tradições, que são indiferentemente quebradas, também alguns versos do nosso glorioso hino, em breve, deverão ser mudados por conflitarem com a tua triste realidade. O teu passado não será mais doce, pois terás absorvido bocados amargos e a tua beleza, maculada pelos maus tratos de quem não soube te amar de verdade, já não serás mais a mesma, pois as marcas e cicatrizes ficarão enxovalhando a tua face pálida e tristonha.



Monumento pelo centenário de Ipu (1940)


Duas das maiores tradições de nossa cidade, além da festa do padroeiro, eram as comemorações cívicas do 26 de agosto – dia do município - e sete de setembro. Salva de vinte e um tiros às cinco horas da manhã, anunciava o amanhecer de um dia festivo e nos despertava contaminados com um forte sentimento de patriotismo; desfiles de soldados do “Tiro de Guerra” e alunos das escolas locais adornavam as ruas repletas de gente que vibrava ao som dos velhos dobrados militares; concentração cívica formada em frente ao Paço Municipal, onde se posicionavam as maiores autoridades civis, militares e eclesiásticas da cidade, a banda de música, com o seu uniforme de gala, animava a cerimônia e entoava o Hino Nacional para o hasteamento das bandeiras. A cerimônia prosseguia com discursos das autoridades alusivos à data. À noite, o encerramento das comemorações era marcado, sempre, com uma seção solene onde se apresentavam artistas da terra, pequenas exibições teatrais, tudo em homenagem àquela data festiva. Hoje, as coisas mudaram e mudaram para pior. O dia do município já não é mais comemorado no dia 26, depende das conveniências de quem governa a cidade e o espírito de civismo não se faz mais presente, nem mesmo no 7 de setembro. Isso é lamentável, mas, infelizmente ocorre! A prioridade hoje é a animação com caríssimas bandas de forró para atrair multidões e desviar o foco dos festejos, dando uma falsa impressão de comemoração de tão importante data.



Desfile de 7 de setembro (anos 50)


Às vezes, no calor de paixões partidárias, nos envolvemos com determinados tipos de pessoas, que apenas por acaso, nasceram em nosso território, mas, nunca se deram conta de que o local onde nascemos é o nosso verdadeiro berço, é nossa terra mãe e como tal deve ser cultuada e amada como nossa mãe biológica, que nas suas entranhas nos gerou e com o seu leite materno nos criou. É assim que geralmente vemos os que nascem em nossa terra, como irmãos, filhos da mesma mãe. Entretanto, nessa irmandade, nem todos os mortais têm essa concepção de reconhecimento e gratidão. São meros seres vivos, como irracionais que, pela sobrevivência física e ideológica fazem o papel de verdadeiras feras predadoras. E, quando disso nos damos conta, muitas vezes é tarde demais, já temos criado e fortalecido um inimigo latente, pronto para nos devorar e causar os mais diversos malefícios à nossa terra-mãe e aos nossos irmãos. Para esse tipo de irmãos devemos está sempre atentos, para que eles nunca se sobreponham a nós, fazendo prevalecer os seus instintos grotescos de tirania e maldade.



Festejos de São Sebastião (Anos 50)


Necessário se faz, contudo, o nosso alto controle emocional na hora de escolhermos um verdadeiro líder para nossa família, que governe nossa casa e nos conduza com isenção e justeza, que conserve nosso lar com equilíbrio e sensatez, na paz e na prosperidade, visando, sempre, o bem estar de todos, sem perder de vista o futuro que irá acolher nossos descendentes, as gerações futuras. Assim poderemos cantar com patriotismo a música do ipuense Wilson Lopes “Ao Meu Ipu Querido”, que também - e tão bem - poderia ser o nosso hino de amor ao Ipu.


Oh meu Ipu querido,
Terra de São Sebastião,
Talvez que tenha sido aqui
O paraíso de Eva e Adão.
Oh meu Ipu querido,
Terra tradicional,
Eu me sinto orgulhoso
De tu seres o meu torrão natal.
Tenho amor à minha terra,
Que fica bem pertinho da serra,
São Sebastião
Que é o nosso padroeiro,
Peço que seja aqui
O meu suspiro derradeiro
Oh meu Ipu...




Antônio Tarcízio Aragão (Boris)
Ipu/CE, 07/09/2008


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31 de agosto de 2008

DELMIRO GOUVEIA

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O LORDE DO SERTÃO





"O Sertão é viável, só é preciso plantar novas sementes!"


Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu no dia 5 de junho de 1863, na fazenda Boa Vista, município de IPU, Ceará, filho natural de Delmiro Porfírio de Farias e Leonilda Flora da Cruz Gouveia.

Em 1868, transferiu-se com sua mãe para a cidade de Goiana, em Pernambuco e depois de quatro anos para o Recife.

De família pobre, teve que trabalhar cedo para se manter e ajudar a mãe. Foi bilheteiro da estação Olinda do trem urbano chamado maxambomba, trabalhando também na estação de Apipucos, bairro do Recife, onde adquiriu, quando rico, um palacete que hoje é propriedade da Fundação Joaquim Nabuco, onde funciona o Instituto de Documentação. Trabalhou ainda como despachante de barcaças.

Interessado na compra e venda de couro e peles de cabras e ovelhas vai para o interior de Pernambuco, casando-se, em 1883, com Anunciada Cândida de Melo Falcão, na cidade de Pesqueira.

Dedicou-se ao comércio e exportação de couro e peles, inicialmente como empregado da família Lundgren e depois por conta própria, mantendo um grande número de compradores por toda a região Nordeste do Brasil.

Fundou, em 1896, a Casa Delmiro Gouveia & Cia, passando a destruir a concorrência no setor e ficando conhecido como o Rei das Peles.

Dispondo de capital, se engajou politicamente e partiu para outros empreendimentos. Foi o responsável pela urbanização do bairro do Derby, no Recife, onde só havia manguezais: abriu estradas, ruas, construiu casas e um grande mercado modelo sem similar no Brasil, o Mercado Coelho Cintra, com 264 compartimentos alugados a comerciantes de alimentos e de outros tipos de mercadoria, inaugurado no dia 7 de setembro de 1899.

Nota: segundo muitas opiniões, o Mercado Coelho Cintra foi o primeiro Shopping Center da Améria Latina.

Os baixos preços praticados no mercado incomodaram a concorrência, havendo por isso desentendimentos com o então prefeito do Recife, Esmeraldino Bandeira e em decorrência, conflitos com o poderoso Rosa e Silva, presidente do Senado Federal e vice-presidente da República, o que culminou com o incêndio do mercado, no início de 1900.

Hoje, após a reforma realizada em 1924, o prédio do antigo mercado abriga o quartel general da Polícia Militar de Pernambuco.

Autoritário e de temperamento difícil, à medida que enriquecia criava mais inimigos.

Em 1901, perseguido e com problemas no casamento refugiou-se durante um ano na Europa.

Separado da esposa, em 1902, aos 39 anos, raptou a adolescente Carmela Eulina do Amaral Gusmão, fugindo para Alagoas e fixando-se na Vila da Pedra, uma localidade a cerca de 280 km de Maceió e que na época só possuía seis casas. Passou a comprar e exportar couro e peles, utilizando o Porto de Jaraguá, em Mació.

Em 1909, inicia os estudos para aproveitamento econômico da cachoeira de Paulo Afonso. Em 1913, construiu no lado alagoano uma pequena usina geradora de eletricidade, puxando a rede elétrica até a sua fazenda.




Usina de Angiquinho, construída por Delmiro Golveia


Inaugurou, em 1914, uma pequena fábrica têxtil para produção de linha, com a marca Estrela, que logo dominou o mercado nacional, impondo-se também nos mercados da Argentina, Chile, Peru, depois Bolívia, Barbados e até nas Antilhas e Terra Nova.

A fábrica era um modelo de organização, com diversos pavilhões onde ficavam os teares, uma vila operária, ambulatório médico, cinema e ringue de patinação.

Não querendo ficar isolado e para ajudar no desenvolvimento das suas atividades industriais, construiu cerca de 520km de estradas carroçáveis e introduziu o automóvel no sertão.

Embarcava sua produção através de porto de Piranhas, utilizando a ferrovia que ligava Jatobá (atual Itaparica) a Piranhas para transportá-la.

Levou a energia elétrica para a povoação onde ficava a fábrica e depois até a Vila da Pedra.

Passou a idealizar e desenvolver projetos para a implantação de uma hidrelétrica que abastecesse o Recife de energia, o que causou desentendimentos com o então governador de Pernambuco, Dantas Barreto, que o acusava de estar procurando aproveitar-se do seu governo e, por isso, rompeu relações com o industrial.

Seu temperamento difícil, a tensão em que vivia, além da falta de apoio governamental, lhe trouxeram uma série de atritos, que culminaram com o seu assassinato à bala, no dia 10 de outubro de 1917, aos 54 anos de idade, no terraço da sua casa na Vila da Pedra, hoje município de Delmiro Gouveia.




Estação Ferroviária da Cidade de Delmiro Golveia-AL


Local onde foi assassinado Delmiro Gouveia



Alguns Comentários sobre Delmiro Gouveia


Gazetaweb.com

Estrela foi a mais antiga marca dos carretéis de linha produzidos na Companhia Agro Fabril Mercantil de Delmiro Gouveia. Ao chegar à terra de Delmiro, uma estrela ainda brilha neste Sertão, embora no dia 10 de outubro de 1917 um tiro certeiro tenha tentado apagá-la. Delmiro Gouveia foi assassinado, mas sua história ainda ilumina o Sertão.

A história de Delmiro é o principal atrativo da cidade. Este cidadão nasceu no Ceará, progrediu na cidade de Recife, viajou pela Europa, mas foi em Alagoas que realizou uma parte de seus sonhos. Construiu a fábrica de linhas e foi pioneiro na primeira hidrelétrica no Nordeste, utilizando a força do Rio São Francisco.

A bala atingiu todos os alagoanos, mas a história, a cidade e o Velho Chico ressuscitaram o herói do Sertão. Uma viagem a Delmiro Gouveia serve para desbravar as belezas da região que há mais de 100 anos encantou Delmiro, levando-o a escrever nestas terras áridas que o Sertão é viável, só é preciso plantar novas sementes.


Sinopse do filme "Coronel Delmiro Gouveia" (1978)

Em fins do século passado, no Recife, Delmiro Gouveia, rico comerciante e exportador, sofre perseguições políticas por suas idéias. Falido e perseguido pela polícia do Estado, Delmiro Golveia refugia-se no sertão, sob a proteção do coronel Ulisses, levando consigo uma enteada do governador. No sertão, Delmiro reinicia suas atividade de exportador de couros e monta uma fábrica de linhas de costura, aproveitando a energia elétrica de uma usina que constrói na cachoeira de Paulo Afonso. A Grande Guerra de 1914, impedindo a chegada dos produtos ingleses à América do Sul, garante a Delmiro a conquista do mercado. Os ingleses da Machine Cottons, ex-senhores absolutos do mercado, enviam emissários para negociar. Delmiro nega-se a vender a fábrica ou associar-se. É assassinado em outubro de 1917. Anos mais tarde, em 1929, a fábrica é adquirida pelos ingleses, desmontada e suas peças lançadas nas corredeiras de Paulo Afonso.


Site da Fundação Joaquim Nabuco

Por volta de 1910, o legendário industrial Delmiro Gouveia conseguia aproveitar a força da cachoeira de Paulo Afonso, e construía uma usina hidrelétrica. Para tanto, encabeçou a criação de uma empresa de capital misto, juntamente com um milionário e um engenheiro norte-americanos e, como o primeiro passo, adquiriu as terras localizadas nas margens da cachoeira, do lado alagoano, incorporando-as ao domínio privado.

Em seguida, conseguiu obter vários privilégios do Governo, entre os quais o direito de explorar as terras improdutivas em Água Branca, Alagoas; a concessão para captar o potencial hidrelétrico da cachoeira de Paulo Afonso e produzir eletricidade; e a isenção de impostos referentes à sua fábrica de linhas de costura Estrela, na localidade de Pedra, situada a 23 km da cachoeira. Entre 1910 e 1911, todos essas concessões foram transformadas em decretos-lei pelo Estado de Alagoas e, desse modo, através dos esforços de Delmiro Gouveia, era construída Angiquinho, a primeira usina hidrelétrica.

Para gerir os seus empreendimentos, o industrial tornou a pleitear, junto aos Estados nordestinos, concessões adicionais e isenções de impostos. Vale ressaltar que, em se tratando de Pernambuco, o General Dantas Barreto (o governador, na época) negou aqueles pleitos, alegando que eles eram lesivos aos interesses do Estado. A despeito da negativa, entretanto, Delmiro Gouveia levava adiante o seu projeto e, no dia 26 de janeiro de 1913, Pedra já possuía energia elétrica fornecida pela cachoeira de Paulo Afonso. A usina de Angiquinho continha três turbinas a uma altura de 42 metros, com tensão de 3.000 volts, sendo a primeira de 175 kVA, a segunda de 450 kVA e, a última, de 625 kVA.

Poucos anos depois, em 1917, vale lembrar, enquanto lia jornal na varanda de sua casa, alguns pistoleiros matavam o pioneiro da energia elétrica do Nordeste do Brasil. E em uma justa homenagem prestada pelo Governo de Alagoas, algumas décadas após aquele incidente, a antiga localidade de Pedra passava a denominar-se cidade Delmiro Gouveia.


Portal da Cidade de Paulo Afonso

Em toda a história da região, nenhuma das figuras foi mais importante que Delmiro Golveia, pois ele enxergou no rio a possibilidade de exploração do potencial energético da Cachoeira, aliado a um programa de desenvolvimento da região, com a construção da Usina Angiquinho em 1913, de onde saiam 1.500 HP de energia que alimentavam a Companhia Agro-Fabril Mercantil e a vila de operários no município de Pedras (atual Delmiro Golveia) do lado Alagoano da Cachoeira, trazendo o progresso para a região, mas os planos de Delmiro acabaram sufocados por interesses estrangeiros e pelo desafeto político, em 1917 foi assassinado, aos 54 anos. Seu projeto inovador serviria 40 anos depois como modelo para a construção do complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso.


Matéria publicada no site da AFAI em 10/10/07
(http://www.ipu-ce.com/noticias.php?idnoticia=110)


Compilação e Edição
Ricardo Aragão


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28 de agosto de 2008

ONDE ERRAMOS?

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Não é mais nenhuma “bomba” os escândalos envolvendo gente importante, políticos, autoridades. Mas será que não somos um pouco corruptos também?

Honestamente, acredito que esta realidade vai continuar ainda por um bocado de tempo. E, independente de quem esteja no poder (em todos os níveis de governo), pode até ir melhorando aos poucos, eu até acredito nisso, porém não sem o desenvolvimento do senso crítico de nossas crianças e jovens. Aliás, o nosso tembém, sempre!

Particularmente, creio que a mudança se faça, inicialmente em casa e nas escolas, procurando se desenvolver o “pensar” da galerinha.

O começo dessa revolução poderia ser através da valorização dos “porquês” das crianças, passando por discussões sobre sexo na adolescência, drogas, até uma fase, digamos, mais “evoluída” das discussões, debatendo sobre política participativa, sociedade organizada atuando ativamente no desenvolvimento não só de um lugar, mas de um povo, enfim. Teríamos de estimular a busca constante por um mundo melhor, e nesse "melhor", inexoravelmente estaria incluída a não-corrupção e, pasmem, o fim do "jeitinho brasileiro".

Será que conseguiríamos?!

Afinal de contas, será que não está na hora de nos envergonharmos em ganhar fácil e, em alguns casos, até de forma não muito honesta? De nos vangloriarmos com uma trapaçazinha? De um troco a mais? E aquela cola na hora da prova, que o professor não viu? Isso é glória? Afinal, tais exemplos são ou não uma forma de corrupção? E quem nunca os cometeu que atire a primeira crítica (use o link comentário, abaixo).

Chega de jogar lixo na rua só por que não tem ninguém olhando e ainda sair dando uma de "defensor da natureza" (uma ova!)!

Chega de tratar os velhos com desdém, como se eles nada tivessem a contribuir com os todo-poderosos “jovens” (ledo engano!)!

E chega também de aceitar (e até de admirar) aqueles “milionários da noite pro dia” só por que têm dinheiro, muito dinheiro! Afinal, alguém já perguntou a algum desses “emergentes” como foi amealhada tanta fortuna, senão pela sonegação, tráfico ou outras formas pouco ortodoxas, pra não dizer ilícitas, de crescimento honesto do patrimônio?

Eita, sociedadezinha hipócrita e interesseira!

A propósito, você que é assalariado e que ganha seu rico dinheirinho com o suor do seu trabalho, honestamente, não se pergunta o porquê de tanta dificuldade pra realizar um “sonho de consumo”, tal como a compra de um carro ou a reforma de sua casa? Pobre assalariado, passa anos juntando uma graninha na poupança para dar entrada em um desses “sonhos” e outros tantos anos com a corda no pescoço, cortando isso, cortando aquilo para honrar suas prestações! Para a maioria dessas pessoas (nas quais me incluo), o mais comum, digamos rotineiro, é sobrar mês e não dinheiro. Ou não é assim?

Não estaria na hora de parar de ignorar a dúvida de uma criança simplesmente deixando de responder “porque sim, filho”?!

Chega de mostrar que se importa com tudo e com todos e não fazer nada pelo coletivo!

O professor tem um papel fundamental nesse processo de conscientização de toda uma geração, mas até este, coitado, está ficando alienado, aceitando (e até estimulando) o "Ctrl C" / "Ctrl V", enquanto forma jovens ainda mais alienados que ele. Jovens que não lêem livros, não assistem a um telejornal, ou sequer folheiam uma revista informativa.

Em compensação, o Orkut tá “bombando” na rede! Vá entender?!

O Governo, por sua vez, devia estimular o processo do VERDADEIRO APRENDIZADO e não forjar estatísticas com números. Quantidades enormes de idiotas em vez de um punhado de notáveis! O resultado?

O Professor diz:
- Formule uma frase com o verbo "hospedar".

O Aluno responde:
- "Os pedar da bicicreta é de prástico!"

Seria cômico se não fosse trágico!

Mas, infelizmente, é pra essa realidade que estamos andando. Como se fôssemos caranguejos, ANDANDO PARA TRÁS!

Quem não sabe que um professor, no final do ano letivo, tem que fazer infinitas recuperações por que não pode reprovar? Afinal, reprovação é número negativo na conta do Governo.

Qualidade à quantidade devia ser a regra!

Vê-se que a hipocrisia vem de cima pra baixo, imposta, atingindo a todos nós que, passivos, nos permitimos enganar, bem guardados sob o manto da maior de todas as ignorâncias:

AQUELA QUE NÃO QUER ENXERGAR!



Ricardo Aragão
28.08.08


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27 de agosto de 2008

PARABÉNS, IPU!

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168 ANOS!




Comemora aniversário
Nossa querida cidade
Lugar de gente alegre
Fartura e prosperidade
É a “Terra de Iracema”
Berço de canto e poema
De paz e felicidade

Tu és lembrada por todos!
Pois quem nunca ouviu falar
Daquela história contada
Que todos hão de lembrar
Da índia que aqui andava
E na Bica se banhava
Segundo Zé de Alencar?

Ipu, querida cidade
Lugar de muita beleza
Onde vive o Ipuçaba
De grandiosa riqueza
Um rio que nasce pertinho
E correndo de mansinho
Mostra toda sua grandeza

Rio que desce da serra
Demonstrando singeleza
Ao findar a Ibiapaba
É mostrada sua grandeza
O nosso cartão postal
Nossa Bica é sem igual
Exuberante natureza!

Ipu, hoje é o teu dia
Receba um grande abraço
Dos teus filhos e amigos
Que não desatam o laço
E amam muito esta terra
Este pezinho de serra
Que do céu é um pedaço!

Finalizando estes versos
Escritos com o coração
A cada ipuense eu deixo
Pequena reflexão
Você que ama a terrinha
Terra que é sua e minha
Por ela tem devoção?

Pois se tem chegou a hora
De mostrar como se faz
Para salvar nosso Ipu
De um destino voraz
Cuidando desta cidade
Com bastante lealdade
Muito zelo e muita paz!

Pois quem ama sua terra
E por ela tem respeito
Não a deixa mal-tratada
Basta só cuidar direito
Fazendo com devoção
E usando o coração
Pro Ipu ficar perfeito


Ricardo Aragão
Ipu, 26.08.2008


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25 de agosto de 2008

ABÍLIO MARTINS

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Por Antonio Vitorino






Com muito orgulho, usarei este espaço para falar um pouco de meu bisavô, Abílio Martins. O texto abaixo, foi escrito pelo historiador Antônio Vitorino, companheiro do Grupo Outra História, baseado em informações cedidas por minha mãe, Celininha. Eis, pois, um breve histórico de quem foi o Dr. Abílio Martins:



Abílio Martins nasceu em Ipu no dia 21 de novembro de 1883. Filho do coronel Antônio Manoel Martins - fazendeiro e grande comerciante, possuindo estabelecimentos comerciais nos estados do Ceará, Piauí e Pará - e de Adelaide Timbó, Abílio freqüentou três anos do curso de medicina em Recife. Depois disso foi para o Rio de Janeiro, onde bacharelou-se em Ciências Jurídicas e sociais.

De acordo com o almanaque de 1961, Abílio Martins não abraçou “com amor a causa que lhe deu o pergaminho”. Ainda segundo o citado Almanaque Abílio gostava do jornalismo, “sendo bom poeta, prosador e dramaturgo” .Abílio escrevia para jornais de fortaleza e fundou no município de Ipu juntamente com Thomaz de Aquino Correia e Eusébio de Sousa, o Correio do Norte, o mais importante periódico fundado na Terra de Iracema e de circulação mais demorada (1918 – 1924).

Teve carreira política regular. Foi deputado estadual por duas legislaturas e depois chefe de polícia e segurança pública do Estado do Ceará no governo de Justiniano de Serpa (1920 – 1923). Em fins da década de 1920 aparece como chefe político e nome mais influente do Partido Democrata de Ipu. Como deputado apresentou em 1913, na assembléia Legislativa, um projeto, sendo aprovado, que autorizava a contratação de serviço de canalização de água da cidade.

Foram obras federais conseguidas por intermédio de Abílio Martins para o município de Ipu durante a seca de 1919, a construção do Açude Bonito e da Estrada Ipu-São Benedito.

Abílio Martins faleceu em 26 de setembro de 1923 de uma síncope cardíaca, quando exercia o cargo de Chefe de Polícia do Estado, aos 39 anos de idade.

No mesmo ano de sua morte, Ipu prestou-lhe homenagem, dando o seu nome à sua praça principal e a Estação Ferroviária da então localidade de Curupatí, que, também, veio mais tarde a denominar-se Abílio Martins. Seu nome também aparece numa rua do bairro da Parquelância, em Fortaleza.

Abílio Martins casou-se com Celina Carvalho Martins com quem teve cinco filhos: José Carvalho Martins que era bioquímico no rio de Janeiro tendo falecido no ano de 2000; Francelina Martins Araújo, viúva do ipuense Dr. Francisco Araújo; Adelaide Carvalho Martins, falecida aos 18 anos de idade; Antônio Carvalho Martins, funcionário público federal, falecido em 1992 e Guarany Carvalho Martins, contabilista, falecido em 1999.

Membro da Associação 7 de Setembro. É tido como o fundador do Gabinete de Leitura Ipuense, cujo idealizador foi Chagas Pinto. Passou a ser sócio honorário do Gabinete. Não aparece como membro das outras associações provavelmente por sua morte prematura em 1923.

Abílio Martins foi um dos líderes do partido democrata no município que deu suporte à candidatura em 1920 de Justiniano de Serpa, candidato situacionista. Foi por intermédio do jogo político que Abílio Martins junto com seus correligionários, que gozavam de prestígio junto ao governo do Estado, conseguiram a liberação de obras contra a seca para a cidade de Ipu.



Dados Biográficos extraídos em parte de “Dados Biográficos do Dr. Abílio Martins” cedido por Maria Francelina Martins Aragão, esposa de Antônio Tarcízio Aragão (Boris), neta de Abílio Martins.




Redação:
Antonio Vitorino
(Grupo Outra História)


Informações e Pesquisa:
Maria Francelina Martins Aragão
(Celininha)


Edição:
Ricardo Aragão



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22 de agosto de 2008

O LEGADO DOS CASARÕES

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Abrimos aqui um espaço para destacar algumas fotos antigas da Cidade de Ipu. Atentem para a beleza e suavidade das linhas arquitetônicas dos velhos casarões, bem como para a visível calmaria nos logradouros, muito comum nos idos dos anos 40 e 50, período provável da maioria das fotos desse lindo cenário que é a Terra de Iracema.

Apreciem:



RUA MAJOR LIBERALINO (detalhe da sapata do Paredão)



IGREJA MATRIZ DO MÁRTIR SANTO (anos 50)



RUA VERDE



JARDIM 26 DE AGOSTO



PRAÇA CORONEL JOSÉ LIBERATO (RUA VERDE)


RUA CORONEL PEDRO ARAGÃO (RUA DA GOELA)



LARGO DO MERCADO PÚBLICO (vista da Rua Cel. Félix)



QUE TAL, GENTE?

BELOS CASARÕES, HEIM?!


REFLITAMOS AGORA:


Ah! Se não restasse somente na memória dos que viveram aqueles maravilhosos e bucólicos anos, a história e a cultura arraigadas em cada um desses casarões!

Pois será somente através de recordações e fotografias como estas que teremos como constatar o esplendor desses prédios, a pureza de seus detalhes, a sutileza de seus elementos arquitetônicos, e principalmente, o valor pela preservação de nossas raízes, de nossa terra, de nosso povo.

Hoje, infelizmente, vemos os pobres casarões em franca extinção! Freqüentemente temos notícia de mais um “OITÃO” derrubado, ou seja, menos uma testemunha de nossa história e de nossa cultura.

Costumo dizer que a volúpia capitalista corrompeu até o senso de preservação dos próprios ipuenses, de preservação de sua própria essência, seu cerne.

A História de um povo é o resultado de pequenos momentos vividos uma única vez no espaço-tempo. Tal qual esses casarões, que tijolo a tijolo, cada um ocupando seu espaço, também único, chegam a enormes proporções e se mostram imponentes como se invencíveis fossem.

Invencível?! Ledo engano! Pois o implacável tempo cuida para que tudo seja transformado em pó, relegado ao esquecimento. Porém, não apenas os elegantes casarões se esvaem em poeira, a própria História de um povo fica fadada também ao ostracismo. Triste povo este, que não cuida de sua origem, tampouco saberá cuidar de seu futuro.

Será este o legado que estamos deixando para as próximas gerações?!

E quanto a VOCÊ, que ora lê esta reflexão e que assiste a tudo sem mover uma palha, sem sequer se indignar com tamanho descaso, estaria pensando no seu filho agora? No mundo que vai deixar para ele? Sem memória, sem valores, sem referência?! Não se trata aqui apenas de coisas materiais. Os casarões representam uma parte do que somos, do que temos de herança de nossos antigos. São eles, o símbolo vivo dessa História. A nossa História!

Ipuenses, vamos preservar nosso Patrimônio Histórico tão bem representado pelos poucos casarões que ainda temos!

Cuidemos também de nosso Patrimônio Natural, pois nossa Bica e nosso Ipuçaba agonizam enquanto, inertes, os vemos morrer. Mas este é um outro assunto.

Até breve!

Ricardo Aragão
(22.08.2008)

19 de agosto de 2008

UNIÃO DE VERSOS (quando tudo começou)

... EM FAVOR DA VERGONHA


Visitando as páginas dos amigos Airton Soares e Dalinha Aragão (vide nos "Links Amigos" deste blog), me deparei com a bela sextilha “Farinha do Mesmo Saco” (Dalinha), sobre compra e venda de votos. O gosto pelo cordel me fez arriscar uma resposta também em versos que, diga-se de passagem, não obedecem a nenhuma regra, apenas rimam em linhas alternadas, mas que retratam minha indignação e repúdio à prática de negociação do voto, infelizmente muito comum em nossos dias.




Farinha do Mesmo Saco
(Dalinha Aragão)

Você eleitor que repete,
Que todo político é ladrão.
Mas vende ou troca o voto,
A cada nova eleição,
Você é igualzinho a eles,
Não vale nem um tostão.



Meu Remate
(Ricardo Aragão)

Apreciei por demais
Estes versos da Dalinha
Que para mim é capaz
De escrever mais 100 linhas
Falando do velho ou rapaz
Que vendendo o voto se alinha
A quem a proposta lhe faz

Não custa nada lembrar
Que atitude tão feia
De vender ou de comprar
A consciência alheia
Fere as leis do lugar
E leva para a cadeia
Quem assim se comportar


(Ipu/Ce, 18.08.08)


Dalinha Catunda complementa...

Filho nobre do Ipu,
Que tem os versos perfeito
Cem linhas ainda é pouco,
Mas nós temos o direito
De alertar a consciência
E apostar na decência
No que vota e no eleito.

Não é besteira é um fato,
Mas preste bem atenção
Tanto o eleitor safado,
Como o político ladrão
Mesmo sabendo que é feio
Quer pôr a mão no alheio
Quer ser gigolô da nação.


(Rio/RJ, 19.08.08)


Antônio José Aragão complementa...

Falo mais uma vez
Daquele pobre eleitor
Que com vergonha ficou
E nem se quer ainda votou

Mais vai ter tempo
De se redimir
E com seu voto contribuir
Para o Ipu
Cada vez mais se expandir

(Fortaleza/CE, 19.08.08)


Maria Celina complementa...

Não me atrevo em continuar
Com os versos de vocês
Prefiro somente admirar
Até chegar a minha vez
Que não há de demorar
Chego já até vocês


(Ipu, 19.08.08)


Tarcízio Boris complementa...

Posso até já opinar
Sobre os novos cordelistas
Em versos não sei falar,
Nem de música sou letrista.

Mas falando de eleição,
Não gosto nem de pensar.
Com tanta corrupção,
Todos querem barganhar.

Tem cabra comprando voto,
Certo que vai ganhar.
Tem gente vendendo voto,
Na certeza de enganar.

Todos eles são iguais,
Nenhum tem compostura.
As moedas são banais,
Vale até dentadura.

Precisamos combater
Toda essa canalhice.
Não deixe seu voto vender,
Vender voto é burrice.


(Ipu/CE, 19.08.08)


Airton Soares complementa...

Por isso:

Não faça da urna uma loto
nesta data decisória
você sabe que o seu voto
pode mudar toda uma história.


(AS - Fortaleza, 20/08/08)


Dalinha complementa...

Sei que não se discute,
Política, futebol e religião.
Mas vale a pena lembrar
E mostrar a população,
Que sua arma é o voto.
Seja vivo e não devoto,
Fuja das promessas vãs.
Vote com consciência.
Pense em sua cidade.
Aposte na decência
Aposte na qualidade
Assim ficará satisfeito
Ao eleger um prefeito,
Que tenha capacidade.


(20.08.08)


Ricardo complementa...

Não sei quem é mais safado
Nessa tal corrupção
Se o eleitor iludido
Ou o político ladrão
Vendendo ou comprando voto
Nos tempos de eleição

Mas será que o eleitor
É mesmo tão iludido
Já que vende a consciência
Ao candidato bandido
Que paga pelo seu voto
Achando que é bonito?


(20.08.08)


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Você está achando interessante?
Quer contribuir com alguns versos?
Então clique no link "comentários", abaixo, para postar sua contribuição poética. Ou, se desejar, envie seus versos e comentários para o e-mail: ricardo.boris@gmail.com

Grato,
Ricardo Aragão

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18 de agosto de 2008

GESTÕES EM VERSOS

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VOU CONTAR UMA HISTÓRIA
AO MEU AMIGO LEITOR
DESTA TERRRA DE IRACEMA
SEJA POBRE OU DOUTOR
POIS TODOS HÃO DE OUVIR
OS VERSOS DO CANTADOR

HISTÓRIA DE UMA TERRA
MEU TÃO QUERIDO TORRÃO
LUGAR BOM E DE FARTURA
NÃO DUVIDE DISSO NÃO
ESTOU FALANDO DO IPU
MAS FALO COM O CORAÇÃO

POVO QUE AQUI ESCUTA
A CONVERSA DO ORADOR
DEVE FICAR BEM ATENTO
PRO QUE DIZ O CANTADOR
CADA TERRA TEM O POLÍTICO
QUE MERECE O ELEITOR

E FALANDO DE POLÍTICO
DOS QUE TEVE MINHA TERRA
RELEMBRO ROCHA AGUIAR
QUE DO SERTÃO E DA SERRA
FOI UM PREFEITO PORRETA
DO IPU DAQUELA ERA

FALO TAMBÉM DO “VEI” MILTON
FILHO DO ANTONIO PEREIRA
UM HOMEM DE QUALIDADE
E DE AÇÃO BEM CERTEIRA
O IPU AMA O DOUTOR
ANTONIO MILTON PEREIRA

CONTINUANDO ESTES VERSOS
AQUI NÃO PODE FALTAR
QUEM NO IPU JÁ DEIXOU
DE SEU NOME RELEMBRAR
JOSÉ CARLOS SOBRINHO
QUE O POVO HÁ DE GUARDAR

MAS NOS VERSOS DO POETA
HÁ DE TER COM CERTEZA
ANTONIA BEZERRA LIMA
UM CORAÇÃO DE ALTEZA
FALO DA NOSSA TOINHA
A GRANDE MÃE DA POBREZA

NESTA TERRA AINDA TEM
MAIS GENTE A SER LEMBRADA
TEVE O SIMÃO MARTINS
EM UMA GESTÃO PASSADA
FILHO DO SEU ABDIAS
UM PREFEITO DA PESADA

POR AQUI PASSOU LIGEIRO
UM RAPAZ INTERESSADO
EM MUDAR O NOSSO IPU
DEIXANDO-O EMBELEZADO
LEMBRO DO JOVEM MARCELO
O FILHO DO ZEZÉ CARLOS

EU NÃO POSSO AQUI DEIXAR
DE PUXAR PELA LEMBRANÇA
E FALAR DE ANTONIO XIMENES
IMPORTANTE LIDERANÇA
UM PREFEITO DE MÃO CHEIA
E DE GRANDE MILITÂNCIA

O IPU TAMBÉM NÃO ESQUECE
ANTONIETA AGUIAR
UM NOME PRA SER LEMBRADO
ATÉ O TEMPO PARAR
MULHER DE OUTRO PREFEITO
FRANCISCO ROCHA AGUIAR

POR AQUI TAMBÉM VIVEU
QUEM LHE TROUXE ADVENTO
COMO ANTONIO MARTINZÃO
UM ESCRITOR DE TALENTO
QUE MESMO SEM SER PREFEITO
PARA O IPU TROUXE AUMENTO

CONSTRUINDO UMA PRACINHA
E UMA QUADRA DE ESPORTES
É QUE ANTONIO MARTINS
SE TORNOU UM NOME FORTE
PRA DISPUTAR ELEIÇÃO
E SER PREFEITO DE PORTE

AGARRADO NESSA IDÉIA
O “BODÃO” VIU A MANEIRA
DE MELHORAR ESTA TERRA
D’UMA FORMA DERRADEIRA
MAS OS VOTOS DA ELEIÇÃO
ELEGERAM ANTONIO PEREIRA

NESTA TERRA SEMPRE TEVE
POLÍTICOS DE IMPORTÂNCIA
PORÉM O POBRE POETA
NÃO OS TRAZ NA LEMBRANÇA
POR ISSO ME DESCULPEM
ESTA TAL INGNORÃNCIA

ESTES VERSOS TÃO SIMPLÓRIOS
DESTE POETA AMADOR
POETA POBRE DE RIMA
MAS UM CABRA SONHADOR
ESTÃO SENDO ENCERRADOS
COM CARINHO E COM AMOR

FINALIZANDO A HISTÓRIA
DESTE HUMILDE CANTADOR
MINHAS DESCULPAS EU PEÇO
PARA O MEU NOBRE LEITOR
POIS ESCREVO É PRO IPU
COM AGRADO E COM FERVOR

DIGO ADEUS, VOU EMBORA
MAS NÃO DESTE MEU TORRÃO
POIS DO IPU EU SÓ SAIO
SE FOR DENTRO DE UM CAIXÃO
E QUEM FAZ ESTA PROMESSA
É O RICARDO ARAGÃO

APRECIADOR DE CORDEL
CUJO ÍDOLO É PATATIVA
AQUELE SIM FOI UMA AVE
DE CANTORIA BEM LIDA
QUE SÓ FEZ AQUI O BEM
EM CADA DIA DE SUA VIDA

POR ISSO MEU PATATIVA
QUE PARA MIM FOI DOUTOR
ME PERDOE A PETULÂNCIA
DE ESCREVER COM LOUVOR
ESTAS RIMAS TÃO SEM GRAÇA
MAS CHEIAS DE MUITO AMOR


RICARDO MARTINS ARAGÃO
(Junho/08)
.
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17 de agosto de 2008

TENHO QUE ACREDITAR !!!

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Como as coisas mudaram!

Como as pessoas mudaram!

Como os valores mudaram!

Lembro que nos bons tempos de criança, era tradição pedir a bênção dos pais ao deitar e ao acordar; tanto quanto pedir um conselho e acatar suas determinações.

Na rua, as pessoas se cumprimentavam, davam Boas Tardes, Bons Dias e Boas Noites umas às outras! Pedia-se Licença... Desculpas... Por favor...

Ah, como mudou! Tudo mudou!

Hoje, vemos uma geração alheia a valores essenciais à boa convivência. Vemos jovens com pavor a um tele-jornal, revistas, livros... Maltratando nossa belíssima Língua Portuguesa... Não estando nem aí pra política, sem sequer se darem conta de que estão tratando dos destinos de suas próprias vidas... Enfim.

Caretice, tio! Disse-me, certa feita, um desses jovens.

Tio?!? Tudo bem, estou envelhecendo. Mas sempre buscando praticar os valores que outrora recebi de meus pais, que lhes foram ensinados pelos meus avós, e estes pelos seus antepassados... etc, etc, etc. Valores estes que pretendo passar aos meus filhos e sobrinhos, numa incessante luta em prol da manutenção da boa educação, da ética, do respeito às pessoas, às tradições, aos princípios básicos que norteiam os relacionamentos humanos. E não é difícil, basta cada um fazer sua parte.

Nestes tempos de Internet, o “Copia e Cola” tirou desta geração a oportunidade de buscar nos livros, os assuntos da pesquisa, onde se lia o teor dos textos, exercitando a capacidade de interpretação, prática fundamental para o desenvolvimento do senso crítico, do discernimento e do poder de avaliação.

Ah que saudade do tempo em que “Página” se pegava com as próprias mãos, se folheava e até se rabiscava e rasgava. Hoje, vemos nas “páginas” do Orkut, MSN, Fóruns, textos cada vez mais incompreensíveis, cujas formas transcendem qualquer limite do vernáculo e até da linguagem coloquial. E tudo isso, tem transformado nossos jovens, cada vez mais, em alienados e deixando-os mais próximos de um futuro caótico e não menos insano.

Meu Deus, e o que será do futuro?!?

As cadeiras nas calçadas foram substituídas por mesas de bares; as conversas sadias, por gritos ao pé d’ouvido, ante à ensurdecedora zoada dos “paredões” de som, tocando músicas...

MÚSICAS? Baixarias quase sempre libertinas em rimas paupérrimas não podem ser consideradas MÚSICA.

MAIS RESPEITO À MÚSICA, POR FAVOR!

A propósito, há pouco tempo, “Paredão” era também conhecido como “Oitão”, parede lateral dos velhos e saudosos casarões.

... Ah, que saudade dos casarões!

Hoje vemos um assassinato em cada PAREDÃO derrubado dos casarões. Aliás, abriu-se a “temporada de caça” aos Casarões do Ipu. Não acreditei quando vi o mais bonito dos casarões de minha cidade em pedaços. Que tristeza senti em ver que a volúpia capitalista dominou até as consciências das famílias e o senso de preservação de sua própria História!

Desiludo-me quando vejo toda esta CONSPIRAÇÃO contra a História, a Cultura, os Valores.

Conspiração SIM, pois até o conceito de herói mudou de uns tempos pra cá! Imagine!

Antes havia o Zorro, Durango Kid, Super Homem, Batman...

E hoje?!? Afinal, quem são os heróis de hoje para os nossos jovens? Quem mostra poder através dos PAREDÕES? Através dos abusos e infrações às leis e às pessoas? Àqueles que, por meio do medo, reprimem, impõem, dominam? Ou quem, pela força do dinheiro, suborna, alicia, corrompe?

Afinal, temos heróis ou BANDIDOS?

Fico triste em ver uma sociedade corroída pela hipocrisia, pela covardia e pelo medo.

CHEGA!

Não é este o futuro que projetei para mim e para meus filhos. Não são estes os valores que aprendi com meus pais e que ao longo da história, vêm sendo transferidos por gerações. Tá tudo errado!

Ou seria... TÁ TUDO DOMINADO ?!?

Honestamente, não nasci pra ser enxotado de minha própria terra; pra ser subjugado e oprimido por falsos heróis, ainda mais por SALTEADORES; pra aceitar, CALADO, os constantes desrespeitos à minha cidade e ao meu povo; como também aos verdadeiros e sagrados valores de família, como o RESPEITO, a DIGNIDADE, a HONRADEZ, a HONESTIDADE...

Francamente, não nasci pra ser submetido à arrogância e à opressão de quem se acha DONO DO MUNDO, mesmo que por meio da força e do vil metal; pra ser gerido por absolutistas tiranos, muito menos para legitimar seu poder através do voto. Do meu voto?! JAMAIS!

Então eu sonho...

Ah, que bom seria se as pessoas de minha bela e querida Terra de Iracema se insurgissem contra a tirania! Contra opressão! Contra o medo!... Ah, que bom seria!

Mas o sonho é uma forma de viver aquilo que esperamos um dia realizar. Por isto eu sonho! Acreditando!

E em devaneios, imagino até uma sociedade representada por legítimos defensores da ética, do respeito, da honestidade.

Vislumbro meu povo questionando sobre o que é melhor pra si; sobre quem melhor poderia representá-lo e até sobre quem seria um verdadeiro herói.

Neste sonho, imagino a juventude interessada em FAZER um mundo melhor e mais digno pra ser vivido por ela. Vejo Jovens críticos, preocupados A QUEM entregar o poder que conduzirá parte de sua vida e de seu meio.

Talvez sejam apenas quimeras tais aspirações, mas TENHO QUE ACREDITAR NO SER HUMANO e na sua capacidade de mudar o próprio destino.

EU CREIO que, ao final, não terá sido em vão. Não terá sido apenas um sonho.

Tenho que acreditar que VAI DAR TUDO CERTO!



Ricardo Aragão
01.08.2008
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SEJA DONO DO SEU DESTINO

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O exercício da cidadania é a forma mais simples para se conquistar a plenitude de nossos direitos, com respeito e acatamento aos das outras pessoas.

No desejo de se conquistar tais direitos, muitas pessoas, sobretudo às que detém algum tipo de poder, se vêem superiores às demais e, indistintamente, extrapolam os limites da democracia e do próprio bom senso.

A democracia, sistema de governo emanado do povo, exercido pelo povo e em prol do povo, se mostra a maneira mais igualitária de distribuição de direitos e deveres. Porém muitos a ferem como se pelo poder, tivessem autoridade para desmoronar os pilares sagrados do respeito às demais pessoas.

O ápice do exercício democrático se dá na hora do voto. Aquele momento sublime onde o POVO, de forma livre e espontânea, diz quem deve governá-lo e administrar seus próprios interesses.

Contudo, não se verifica a verdadeira democracia quando se tem um povo subjugado e, tal qual nos regimes autoritários, sujeito às vontades e caprichos de governantes inescrupulosos e sedentos de poder a qualquer custo.

Um povo que, embora vivendo em plena democracia, tenha um governante dominador, repressor e autoritário, cujas vontades prevalecem sobre às dos legítimos representados, não pode dizer que vive em um estado democrático de direito. Pois não há democracia sem liberdade; sem vontade própria; sem uma VERDADEIRA JUSTIÇA; sem a palavra final do próprio povo e, principalmente, com medo constante de se sofrer perseguições e ameaças;

Este pobre povo, sofrido e reduzido à condição de gado, como se em currais vivesse, sob as rédeas tiranas e malvadas de um maquiavélico mandatário e de capatazes insanos e cruéis, cujos chicotes e bridões destroem os mais simples e dignos sentimentos, merece, de fato, sentir o gosto da verdadeira democracia; sentir-se valorizado, respeitado, honrado; sentir-se o verdadeiro dono do poder, como de fato o é. Merece, principalmente, se livrar da tirania, da opressão, da maldade e do absolutismo dos que o trata como gado, tangendo, perseguindo, maltratando.

Mas para se chegar à doce realidade que tanto merece este povo, necessário se faz um momento de reflexão, onde cada um, olhando pra dentro de si, se pergunta:

- Por que tenho medo daquele que coloquei no poder para me representar?

- Por que tenho receio de sofrer perseguições, como se ainda vivesse em pleno regime feudal da idade média?

- Será que mereço ser tratado como gado, sendo tangido de um lado para o outro sem vontade própria?

- Por que não dou o rumo que mereço para minha própria vida, se o regime democrático no qual vivo me proporciona isto?

A tantos questionamentos, muitas respostas hão de vir, entre elas a constatação:

- Tenho que fazer algo para mudar minha realidade e, assim, poder mostrar ao meu filho, a forma correta e digna de levar adiante nossas próprias vidas, dando a ele a oportunidade de um mundo mais justo e melhor de se viver.

- Começarei escolhendo de forma sensata, livre e espontânea, aqueles que devem representar nossas vontades e anseios. Representantes de um poder emanado de mim e de meu povo, para o bem-comum de todos nós e não para a satisfação egoísta de poucos.

- Devo escolher um representante imbuído da mesma vontade que tenho de mudar uma realidade; de me dar a exata sensação do que é viver uma verdadeira democracia. Devo escolher um mandatário que me tire da escuridão da tirania; que me faça NÃO TER MEDO; que me guie num novo horizonte; que me traga a esperança de tempos melhores! Um verdadeiro representante dos interesses de todo um povo e não apenas de meia dúzia de beneficiários que vedam os olhos para as vontades de toda uma coletividade em prol de seus próprios interesses.

A este povo que tanto anseia mudar para uma vida melhor, resta buscar em si as razões e desejos de mudança e, simplesmente, AGIR. Ações críticas, prudentes, responsáveis e, acima de tudo, conscientes.

A consciência crítica em detrimento do senso-comum é a grande arma desse povo para atingir seus objetivos e sua redenção como verdadeiro DONO DO PODER.

Ricardo Aragão
27.07.2008
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PRA NÃO DIZER QUE TU NÃO TENS AMORES

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Despencando tuas águas
E seguindo em teu vão.
Belo rio da Bica
E do meu coração.
Em cascatas e fontes
Tu fizeste a opção,
De correr no Ipu
E banhar este chão.

Ipuçaba, fluis agora
Que seco não vou te ver.
Quem sabe está na hora
De tentar te reviver!

Tuas águas, puxaram
Pra molhar plantação.
Mas, sequer cuidaram
Em manter-te em teu vão,
Escorrendo em teu curso,
Banhando este chão
E fazendo da Bica
Teu mais lindo refrão.

Ipuçaba, fluis agora
Que seco não vou te ver.
Quem sabe está na hora
De tentar te reviver!

Poucas coisas fizeram
Para te manter são.
Tuas matas, tiraram
E secaram teu chão.
E tu já não mais cantas
Tua mais linda canção.
Só o silêncio emana
Lá do teu paredão.

Ipuçaba, fluis agora
Que seco não vou te ver.
Quem sabe está na hora
De tentar te reviver!


Paródia da canção: Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré.

Por: Ricardo Aragão
Ipu/Ce, 27/11/07

NO MEU IPU, O QUE MAIS DÓI...

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NÃO É A VELHA ESTAÇÃO DESPENCANDO,
TAMPOUCO NOSSA IGREJINHA RUÍNDO.
MAS DO JEITO QUE AS COISAS VÃO ANDANDO,
COM MUITA GENTE PRA ISSO TUDO RINDO,
É VER UM DIA O IPU, LEMBRANDO,
DAQUELE TEMPO QUE ERA TUDO LINDO.

MAS TENHO CRENÇA, MEU IPU QUERIDO,
QUE TUA GENTE DE PODER TÃO GRANDE,
TAL FORTE POVO, BRAVO E AGUERRIDO,
NÃO FUGIRÁ DA LUTA UM INSTANTE.
MAS MUDARÁ PRA SEMPRE ESTE ALARIDO
E FARÁ DE TI, DE NOVO, O IPU GRANDE.


RICARDO MARTINS ARAGÃO
DEZ/2006

Parodiando O que mais dói (Patativa do Assaré)

EU, MEU FILHO E UM RIACHO MORTO

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... Num futuro não tão distante.






Veja aquela marca na pedra, meu filho... ELE corria por ali!

Tá vendo aquele tronco seco? Era uma enorme árvore, mas morreu de sede. Ela era aguada por ELE! E NELE também viviam muitos peixes! Existia vida aqui, meu filho!

Papai, o que significa aquela mancha preta naquela pedra enorme?

Meu filho, aquela é uma marca da água que corria de cima daquela serra. Ali existiu uma enorme cachoeira, a quem todos chamávamos de BICA DO IPU! Ela era formada pelas águas DELE!

Quem é ELE, pai? E o que houve?

Meu filho, esta é uma longa e triste história, mas vou tentar resumi-la para você: Nesta região havia uma grande floresta, tanto em cima como embaixo dessa enorme serra que hoje é seca e quente. Era uma mata densa e úmida, cheia de vida para todos os lados! Essa exuberância toda era mantida, principalmente pela existência DELE: um córrego, que vinha lá do alto da serra e despencava daquela pedra manchada! Ele era o RIACHO IPUÇABA, meu filho, e banhava todo este vale que hoje está morto! Esse córrego formava inúmeras cachoeiras e a ELE somavam-se as águas límpidas e doces de muitas fontes! Por aqui, todas as espécies viviam na mais perfeita harmonia! Era um verdadeiro paraíso este lugar, meu filho!

E o que houve com tudo isso, pai?

Meu querido, essa história começou mais ou menos assim: há muito tempo chegaram por aqui nossos primeiros antepassados que, aos poucos, foram se multiplicando e, cada vez mais, tomando o lugar da floresta. Durante muito tempo esse povo soube conviver com a natureza, inclusive cultuaram muito a beleza daqui, sobretudo uma grande Bica que aqui existia. Muitos poetas cantaram este lugar, meu filho! Muitos artistas pintaram lindas telas da cachoeira que havia nesta pedra escura! Muitos escreveram formidáveis histórias sobre a beleza que um dia marcou isto aqui! Houve até um grande escritor que fez uma bela história desse lugar, tornando-o conhecido mundialmente: José de Alencar.

Conta a história desse escritor, que por aqui vivia uma linda índia, seu nome era Iracema e ela era conhecida como a Virgem dos Lábios de Mel. Essa índia banhava-se nas águas do riacho que existia aqui. A casa dela era naquelas pedras ali: a Casa de Pedras. Pelo menos esta, o homem não conseguiu destruir!

E o que houve com o RIACHO IPUÇABA, meu pai?





ELE MORREU, MEU FILHO!!!

Findou por descuido das pessoas que viviam aqui num passado não muito distante.
Essas pessoas achavam que o riacho poderia suportar as tantas agressões que o fizeram sofrer. Mas ele não suportou! Resistiu bravamente por alguns anos, mas não sobreviveu!

Os homens daquele tempo eram muito cruéis, não pai?

Não, meu filho. Não chegavam a ser cruéis. Apenas não souberam respeitar a natureza. Eles chegaram ao ponto (imagine!) de derrubar toda a mata que havia aqui para transformar estas terras em pomares e hortas, como também em campos e pasto para animais. Sequer respeitaram as matas ciliares ao longo do riacho que por aqui corria, muito menos souberam guardar as FONTES que o alimentavam!





Então esses homens eram burros, não pai?

Sim, meu filho! Eles foram muito burros! Pois não souberam manter a principal fonte de vida do lugar onde moravam e a valorizar a natureza que por aqui havia de forma exuberante. Imagine você, meu filho, que aqueles homens foram capazes de jogar seus esgotos, lixo e tudo o que não prestava no leito do riacho!

Nossa, pai! Então eles eram burros e cruéis, não eram?

É, meu filho... você tem razão! Aqueles homens foram muito cruéis e burros! Sua intolerância os tornou assim e isso tirou deles toda a riqueza que existia neste lugar!

Pai, você conheceu alguns desses homens maus?

Sim, meu querido filho, conheci muitos deles!

Pai... por que o senhor está chorando?!





PERDÃO, MEU FILHO!!!

Ora pai, que bobagem! Foi-se o tempo em que um homem não podia chorar.
Não precisa pedir perdão por isso!

Não, meu filho! Não é por estar chorando que lhe peço perdão... Mas por ter sido um daqueles homens! Por ter contribuído, até mesmo com minha omissão, para o fim do RIACHO IPUÇABA e de toda a vida que existia em torno dele; por ter tirado de você, meu filho, o direito e a oportunidade de conhecer a BICA DO IPU em todo o esplendor e realeza de seu VÉU DE NOIVA;

PERDÃO, MEU FILHO!!!

Perdão por não ter lhe proporcionado o prazer de tomar banho nas águas limpas e serenas desse riacho, como eu seus tios fazíamos em nosso tempo de criança. Que tempos aqueles, meu filho!!!

Como bom também foi o tempo dos meus pais e tios, quando o riacho era ainda mais limpo e bonito, num lugar chamado GANGÃO. Mas este já deixou de existir há anos!

Perdão, meu filho! Por ter sido um daqueles homens BURROS, CRUÉIS e ESTÚPIDOS que, com absurda INSENSATEZ, tirou da geração do próprio filho e das que virão, toda a superabundância de vida que existia aqui neste lugar;






Me perdoe, filho querido! Perdoe-me por deixar pra você e para meus netos apenas este LEITO SECO do que fora o belo e inesquecível RIACHO IPUÇABA!

Perdão, meu filho!!!



Ricardo Aragão
01/12/2007

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O DESABAFO DE UMA VELHA SENHORA

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Sei que sou uma velha!

Sei que estou horrorosa e fétida!

Sei que o tempo e a falta de cuidados me deixaram assim!

Mas sou vaidosa e gostaria de estar bela como sempre fui!

Nem pude acreditar quando soube, outro dia, que iriam me restaurar! Fiquei radiante de felicidade! Pois mesmo uma velha senhora como eu, sente vaidade e vontade de ser bonita novamente!

Há alguns anos umas pessoas vieram a mim e, aos meus pés, falaram muitas coisas bonitas; me deram um abraço e foram embora. Depois fiquei sabendo que aquilo era um abraço simbólico que a AFAI teria organizado para tentar me resgatar das mãos da iniciativa privada que, certamente, me faria uma plástica que mudaria todo meu semblante.

Nossa, tremi só em pensar nisso!

Mas fiquei feliz em saber que alguém ainda pensava em mim com carinho. Pois cheguei a imaginar que haviam me esquecido! Aquele abraço até que me fez um bem danado! E deu resultado: voltei a ser do povo de minha terra!

Mas o tempo voltou a passar (aliás, ele nunca pára)! E com ele, voltei ao esquecimento e à sarjeta, enquanto vi velhas companheiras sendo demolidas para dar lugar a prédios comerciais.

Meu Deus, o que o homem estava fazendo com seu passado?!

Tive medo só de pensar que a próxima vítima seria eu, embora já tendo sido salva uma vez pela AFAI!

Durante alguns anos, muitos zombaram de mim; me machucaram; me depredaram; me fizeram de banheiro e até de local pra fazer escandilices! Coisas horríveis, que uma senhora como eu nem pode mencionar! E assim tem sido até hoje!

Outro dia, minhas amigas andorinhas me contaram que houve um grande encontro de gente importante em minha cidade, lá no meu colega Patronato. Mas elas não souberam dizer do que se tratava aquela reunião. Só disseram que tinha muita gente e que muitos teriam vindo de fora em carrões e até em aviões. Estes eu vi passando sobre mim naquele dia!

Mas foram meus companheiros pardais que me contaram que aqueles figurões, na verdade, eram deputados. E que estariam ali para fazer uma tal de Assembléia Itinerante. E mais, que EU seria um dos motivos daquela reunião! Fiquei abismada com isso! Eu? Mas por que eu? Por um momento pensei que fossem me vender de novo, mas meus companheiros (e inquilinos) pardais me tranqüilizaram e disseram que alguns daqueles senhores estavam ali para, finalmente, me salvar de um destino cada vez pior. Ufa, que alívio senti!

Fiquei radiante de felicidade quando soube que dois filhos de minha terra estavam entre aqueles importantes senhores: eram os deputados Sávio Pontes e Gomes Farias, mostrarando que se interessam pela minha, nossa cidade. Acreditem! Aqueles nobres e importantes conterrâneos doaram suas verbas parlamentares para fazer minha restauração e a de minha velha amiga, uma senhora bem mais idosa que eu: a querida Igrejinha do Quadro!

Só não tremi de tanta felicidade com medo de me desmoronar toda!

Puxa vida, finalmente eu não havia sido esquecida! Algumas pessoas ainda pensavam em mim e lutavam por mim e por minha companheira Igrejinha!

Os pardais ainda me disseram que a Sra. Prefeita, representante administrativa de minha dona (a cidade de Ipu), ainda falou umas coisas lindas naquela reunião. Segundo eles (os pardais), a Sra. Maria do Socorro havia dito que, até daria um terço do custo das obras, mas, já que os deputados da terra tinham doado suas verbas parlamentares, nada restava para ela fazer, senão autorizar o que fosse necessário para fazerem minha restauração e de minha amiga Igrejinha. Disseram-me que foi uma aclamação só naquele auditório!

Que beleza, todos JUNTOS para salvar a mim e à minha velha amiga Igrejinha! O Ipu estava sendo colocado em primeiro plano, até mesmo antes dos interesses particulares dos políticos! Nem acreditei!

Mas a alegria desta velha senhora durou pouco ou, pelo menos parei se sorrir de tanta ansiedade e aflição. Pois, daquele dia pra cá, nada aconteceu! Exceto uma visita que recebi de dois senhores que, segundo os morcegos que ficam dependurados em meus caibros e linhas, tratavam-se de técnicos do IPHAN. Aqueles senhores me olharam de cima a baixo, me acharam mal-tratada e fedorenta, mas também se admiraram de minha beleza (pasmem!), pelo menos da beleza histórica, arquitetônica, cultural. Eles fizeram muitas anotações, analisaram meus materiais e até passaram uma régua em diversos pontos meus, como se alfaiates fossem, tirando minhas medidas para uma nova roupa. A propósito, há tempos que mereço um novo vestido, pois o meu está velho, sujo e rasgado!

Mas, afinal, o que está acontecendo? Vão mesmo me restaurar?

Ora! Se as verbas dos deputados Sávio e Farias já foram doadas para a Secretaria de Cultura do Estado e a Sra. Prefeita disse que autorizaria o que fosse necessário para a feitura desse restauro, o que está faltando?

Será que tudo vai ficar só naquelas belas palavras?

Será que vou ter que esperar mais alguns anos no ostracismo?

Será que vou ser vendida de novo? Destruída? Demolida?

Gente do meu Ipu...

EU SOU DE VOCÊS!

CUIDEM DE MIM!

NÃO ME ESQUEÇAM!

Mas, apesar de tudo, ainda tenho esperanças que hei de dar muito orgulho a todos vocês, não apenas àqueles que se recordam de meus tempos de glória (como no meu aniversário de 50 anos, abaixo), mas, principalmente às novas gerações, que saberão cuidar bem melhor de mim!


T O M A R A ! ! !


Assinado:
Uma velha senhora chamada ESTAÇÃO.


Por:
Ricardo Aragão
Ipu, 2007

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SETEMBRO: BICA SECA

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Quando entrar setembro,
e a boa nova andar nos campos.
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou.
Juntos outra vez.

Já sonhamos juntos,
semeando as canções no vento.
Quero ver crescer nossa voz
no que falta sonhar.

Já choramos muito,
muitos se perderam no caminho.
Mesmo assim não custa inventar
uma nova canção que venha nos trazer.

Sol de primavera
abre as janelas do meu peito.
A lição sabemos de cor,
só nos resta aprender.

(Sol de primavera, Beto Guedes)



"Quando entrar setembro" em nossa Terra de Iracema, não temos nada de “boa nova”. Pelo menos em relação à Bica do Ipu, que praticamente “desaparece”.

“Já sonhamos juntos” por uma natureza não agredida pela ganância e irresponsabilidade do homem.

“Quero ver crescer nossa voz” na defesa de nosso meio ambiente e na manutenção de nossa Bica. Sempre viva! Perene! Caudalosa!

“Já choramos muito” pelas agressões causadas ao nosso Riacho Ipuçaba e pela falta de compromisso das pessoas que poderiam fazer algo para salvá-lo.

“Mesmo assim não custa inventar uma nova” ação “que venha nos trazer” a Bica e o Ipuçaba de volta.

Bica Seca: apesar de chocante, tenho que mostrar! Pois é assim que ela fica quando chegam os famigerados “bê-erre-o-brós” e, com eles, a escassez das águas do Ipuçaba que, somada à falta de conscientização daqueles que tiram do riacho seu sustento, não tomando os devidos cuidados para evitar o assoreamento de suas margens e a manutenção de suas matas ciliares, causa esse efeito horrendo: A NOIVA SEM VÉU!

Salvemos nosso Ipuçaba e recuperemos o esplendor da Bica do Ipu!

“A LIÇÃO SABEMOS DE COR, SÓ NOS RESTA APRENDER!”


Ricardo Aragão
12.09.07

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