Este espaço foi pensado para divulgar e discutir a Cidade de Ipu/CE de uma forma bem espontânea, através de crônicas, causos, versos, além de opiniões e comentários diversos, tanto do autor, quanto dos nossos visitantes. O blog IPU EM CRÔNICAS E VERSOS, embora com muita humildade, busca também promover as peculiaridades do Nordeste através do cordel, uma das expressões mais originais de nossa cultura. Sejam todos bem-vindos! (Ricardo Aragão)


15 de outubro de 2008

"O BANCO"

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O ASSENTO DA DISCÓRDIA!






Mas que banco é esse?!

Um banco comum de praça, situado na alameda central da Avenida Vereador Francisco das Chagas Farias, mais conhecida como “Avenida da Municipalidade” ou “Rua do Papoco”, quase na confluência com a Rua Antônio Martins, em Ipu.

A história desse banco é jocosa!

Havia algum tempo, alguns senhores, residentes próximos, adotaram o controvertido assento como o local de encontros noturnos para fins de falatório, mais precisamente politicagens. Eis que “O Banco” passou a ser cada vez mais freqüentado não apenas por aqueles senhores de mais idade, mas também por pessoas mais jovens, tanto residentes próximos como das circunvizinhanças da referida avenida e, por fim, de toda a cidade. O Banco tornara-se eclético!

Com a proximidade das eleições municipais, a roda de pessoas em torno d’O Banco aumentava a cada dia! Tanto quanto sua popularidade. Sobretudo por uma peculiaridade: a predominância, para não dizer exclusividade, de pessoas ligadas a uma determinada facção política de Ipu.

“O Banco” passou a ser o local preferido de encontros dos partidários daquele grupo e todo fato que dizia respeito à política local era tratado primeiramente n’O Banco’, depois se espalhava pelo resto da cidade. Histórias de pré-candidatos, jogadas políticas, viradas, traições partidárias, etc, tudo era assunto de primeira importância n’O Banco’. Há quem diga, inclusive, que dali saíram decisões e conchavos importantíssimos, depois deliberados mais minuciosamente em locais mais apropriados como salas de reuniões, residências de políticos, etc.

Pois não é que aquele quieto banco (juro, ele não arredou os pés dali!) se tornou peça central das acirradas disputas político-partidárias de Ipu em 2008!

Senão vejamos...

Passadas as eleições... Candidato eleito... Vereadores definidos... Tudo parecia que voltaria ao normal e, finalmente a paz reinaria novamente nas ruas de Ipu. Não fosse por um pequeno problema: a ala política que venceu as eleições majoritárias na cidade, alcunhados de “Jacarés”, não É a mesma que freqüentava “O Banco” tradicionalmente, os “Pica-paus”. Resultado: conflito!

Alguns correligionários do candidato vencedor resolveram reivindicar o direito de também usarem o famoso banco, afinal ele é público. Mas jacaré e pica-pau nunca se uniram. Quer ver? Assista ao desenho animado!

Evidentemente que “O Banco” ficou no meio das duas tropas. Literalmente!

Logo na noite seguinte à eleição, os “Pica-paus”, inclusive os adeptos d’O Banco’, ressabiados com o resultado negativo das urnas, não arredaram o pé de casa, deixando o pobre banco desguarnecido. Pronto! Foi o suficiente para a histórica “Posse do Banco” organizada pelos “Jacarés”.

Com palavras de ordem do tipo “Hô, hô, hô... esse Banco é um terror!”; “O Banco é nosso, Jacarezada!”; “Xô Passarinho!”; “Sai do Banco, Velhinho!”; entre outras, foi promovida a “Imissão de Posse” d’O Banco’.

A “Queda da Bastilha”, ou melhor, a conquista d’O Banco’, foi marcada com churrasco, bebidas, músicas da campanha vitoriosa, palavras de ordem e fogos. Uma comemoração digna dos grandes feitos! Foi festa até a madrugada de terça-feira, em plena avenida que, naquele dia, mais do que nunca, mereceu o nome de “Rua do Papoco”!

Mas, os originais “donos do banco”, não ficaram nada satisfeitos com a perda de seu ícone. E, num ato de grande ousadia, sobretudo considerando sua condição de vencidos, resolveram reclamar a “Reintegração de Posse” d’O Banco’ e partiram pro “ataque”.

“O Banco” era uma questão de honra pra “Pica-paus” e “Jacarés”!

Na noite seguinte, os “Pica-paus” recuperaram o dito cujo, aproveitando-se da displicência dos “Jacarés”, enfadados da festança.

Daquele dia pra cá, já se passaram vários dias e “O Banco” continua sendo o principal objeto de desejo das “aves” e “répteis”... em regime de “revezamento”!

Um dia “O Banco” é de um grupo. Noutro, de outro! Porém, não sem luta e muita confusão!

O lado triste dessa história hilária é a famigerada violência, pois as agressões físicas tomaram conta do espaço e, tanto de um lado como de outro, há exageros e abusos.

Como resultado, “O Banco” ganhou um novo dono: a Polícia!

Toda noite, duas viaturas da PM, repletas de policiais fortemente armados, se dirigem ao “Assento da Discórdia”, não apenas para salvaguardar o patrimônio público, mas, sobretudo, para acalmar os ânimos dos “Jacarés” e “Pica-paus” que não abrem mãos de lutarem em defesa daquele que, sem dúvida, está sendo mais disputado que a própria prefeitura: advinha quem é?

Ora bolas... “O Banco”!!!


Ricardo Aragão
Ipu/CE, 15.10.08

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