Este espaço foi pensado para divulgar e discutir a Cidade de Ipu/CE de uma forma bem espontânea, através de crônicas, causos, versos, além de opiniões e comentários diversos, tanto do autor, quanto dos nossos visitantes. O blog IPU EM CRÔNICAS E VERSOS, embora com muita humildade, busca também promover as peculiaridades do Nordeste através do cordel, uma das expressões mais originais de nossa cultura. Sejam todos bem-vindos! (Ricardo Aragão)



4/18/2010

CAUSOS DO IPU - FUMO CHEIROSO (Boris)

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Nesta semana está completando um ano da passagem do meu pai, Antônio Tarcízio Aragão (o saudoso Boris), para sua verdadeira vida, ao lado de Deus. Em homenagem a ele, estaremos editando e publicando alguns de seus escritos aqui, em nosso blog Ipu em Crônicas e Versos. O material é composto, em sua maioria, por crônicas e causos sobre o Ipu e alguns de seus personagens peculiares. Mas, eventualmente, publicaremos também alguns versos do Borisão. Alguns desses escritos já foram publicados noutros ambientes virtuais (como no site da AFAI, por exemplo) e em periódicos da Terra de Iracema, como as séries "Casarões do Ipu" e "Causos do Ipu", as quais reproduziremos aqui neste blog com imenso prazer para que muitas outras pessoas tenham acesso ao que deixou escrito meu querido e amado pai. Com vocês, o primeiro capítulo da série "Causos do Ipu":




FUMO CHEIROSO






Por Boris (Dez/2006)




Há muitas décadas, uma família de Santana do Acaraú(CE) veio de muda aqui para Ipu. Vicente Sabino, casado em segundas núpcias com Dª Nana, trazendo alguns filhos, entre os quais, José Maria Sabino que casou-se com minha tia Maria Clotilde (a saudosa tia Mariinha).

O Sr. Vicente Sabino, homem branco de olhos azuis, muito educado, de bons costumes e ao mesmo tempo cavaquista e gozador, parecia até com um descendente de europeus. Costumava usar uma boina de tecido, suspensórios e tamancos de madeira (na época era comum também para homens), além de adorar pitar um cachimbo.

Seu Vicente era comerciante e encadernador de livros. Em sua bodega vendia de tudo um pouco. Era chamado pelos mais íntimos de tio Vicente. Tinha um excelente "papo" que atraia fregueses e rendia-lhe grandes amizades aqui em Ipu. Sua bodega sempre tinha muita gente, a maioria para conversar e ouvir as estórias do velho.

Lá pelos idos anos quarenta, quando quase não existia variedade de produtos industrializados e quase tudo que se vendia era natural, manufaturado ou fabricado artesanalmente nos sítios e fazendas. Nossa região, principalmente a serra, produzia muito fumo e o seu beneficiamento era feito manualmente e em forma de grossas cordas, meladas com uma calda preta pegajosa, e eram enrodilhadas e embaladas dentro de malas de couro para não ressecar nem perder o aroma.

Tio Vicente, além de ser um especialista no produto, fazia um tradicional torrado de tabaco e o vendia em corrimboques feitos de pontas de chifres de boi, com uma tampa de casco de cabaça, com uma correia de couro para facilitar sua remoção. Era comum gente com um corrimboque no bolso, com torrado para inalar nagiragas que causavam estranha sensação, seguida de crise de espirros.

Naquela época, cigarro industrializado também não era muito comum. Usava-se muito o cigarro de fumo picado e enrolado em palha de milho ou papelina. Meu saudoso sogro, Antônio Carvalho Martins (Martinzão ou Bodão, como era conhecido), conservou essa tradição enquanto fumante e afirmava não existir sabor igual.

Na bodega do tio Vicente tinha algumas malas de fumo sob o balcão e quando o freguês procurava, ele arrastava a ponta da corda de dentro da mala para cima do balcão, onde tinha a vara de medir (régua de madeira própria) e o cortador, em forma de guilhotina.

Conhecia-se o fumo pelo cheiro. Cheiro mais ativo, fumo mais forte; cheiro mais moderado, fumo mais fraco. Mas, entre os extremos, existia uma grande variedade de fumos que só com um sensível faro e bom conhecimento se identificava.

Numa bela manhã de sábado, em plena feira, bodega cheia de gente - uns comprando, outros apenas conversando - um freguês de fumo pede ao tio Vicente:


- Seu Vicente, deixe eu espiá os fumo aí.


Tio Vicente puxa uma corda de fumo, o fregues pega, cheira...


- A mincê me mostre outro aí.


Tio Vicente puxa outra corda, mais outra, e o "cara" só cheirando. Já com o nariz todo melado de golda de fumo, o freguês pede mais uma corda pra experimentar e, quando cheira, solta um estrondoso peido. Meio sem jeito, ainda interpela o tio Vicente:


- A mincê num tem um fumo mais forte aí não?!



Tio Vicente, já p. da vida, responde taxativo:


- Fumo pra cagar eu não tenho não, seu peidão!!!


E já foi enrolando as cordas de fumo para guardá-las sob risos e gargalhadas da platéia presente.





 Redação:
Antônio Tarcízio Aragão
(Boris)



Adaptação / Edição:
Ricardo Aragão



Imagem:
http://i.olhares.com/
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4/12/2010

PROGRAMA DO BORIS

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Antônio Tarcízio Aragão (Boris)





Ouvindo belas canções,

O coração fica feliz.

Batendo bem compassado,

Pulsando como quem diz:

Ah! Que bonita canção!

Assim declara o coração

Ao Programa do Boris!



(Ricardo Aragão)






Breve Histórico do
PROGRAMA DO BORIS






Em agosto de 1998, após incessantes convites do amigo e radialista Bosco Farias, Boris - não obstante sua inexperiência radiofônica - aceitou fazer um programa de saudades na Rádio Iracema de Ipu, emissora pioneira na radio-difusão na Terra de Iracema. Nascia o "Programa do Boris", que foi ao ar durante alguns anos na Iracema e durante outro período na Rádio Regional, ambas de Ipu.

Em 2007, após um período longe dos microfones, Boris retomou o seu programa na emissora que o projetara (Rádio Iracema), mantendo a nomeclatura e o estilo do "Programa do Boris".

O retorno foi em pleno vapor, pois o Borisão estava muito motivado pelo reinício de seu programa e ansioso para voltar a levar aos seus ouvintes as belíssimas canções que tornaram o "Programa do Boris" um dos líderes de audiência no município de Ipu e região. Aliás, outro fator que atiçou o interesse do locutor foi o descomunal crescimento da audiência da Rádio Iracema de Ipu, que já estava transmitindo sua programação pela internet e, assim, sendo ouvida por qualquer pessoa em qualquer canto do Planeta Terra. Inclusive, devido a esse advento, Boris passou a anunciar o seu programa como: "Programa do Boris, um programa sem fronteiras!". Boris deu uma roupagem nova ao programa, porém manteve sua identidade, cujas características principais são: a boa música (com ênfase à música brasileira), informações e curiosidades do mundo artístico-musical e, claro, muito romantismo.

Boris faleceu em abril de 2009, mas seu filho Ricardo Aragão deu continuidade àquele que se tornou o programa saudosista mais conhecido e ouvido na região: o "Programa do Boris", mantendo o nome e o estilo que o consagrou.

No entanto, a saudável missão de levar adiante o projeto do inesquecível e insubstituível Borisão à frente do "Programa do Boris" deu a seu novo locutor, Ricardo Aragão, uma grandiosa responsabilidade. Não se trata de, simplesmente, substituir seu velho e saudoso pai (Boris) no comando do seu programa de rádio, pois jamais haverá outro igual ao Boris. Mas, sobretudo, pelo compromisso de manter a qualidade, o estilo e o bom gosto do "Programa do Boris". Contudo, essa missão é bastante atenuada pela predileção que o filho tem pelo gosto musical do pai, peculiaridade esta, que ameniza sobremaneira essa dura, porém prazerosa missão, pois Ricardo Aragão não apenas apresenta o "Programa do Boris", ele curte fazer isto. Eis o segredo!




Ricardo Aragão no "Sábado de Samba"




Ricardo também faz um programa dedicado ao gênero musical que mais identifica o Brasil mundo à fora: o Samba, comandando o programa Sábado de Samba, também pela Rádio Iracema de Ipu, que vai ao ar todo sábado, de meio-dia às 14 horas.

Portanto, se você gosta de boa música e tem interesse nos pomenores do mundo artístico-musical, fica o convite:


* Programa do Boris: toda segunda-feira, das 20 às 22 horas.

* Sábado de Samba: todo sábado, de meio-dia às 14 horas.


Contato: ricardo.boris@gmail.com






Redação, Edição e Fotografia:

Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abr/2010



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4/08/2010

OUSADIA DO POETA

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Olhando o nascente sem barra na linha,

Pedimos por chuva no nosso sertão.

Água boa do céu pra molhar nosso chão

E a fertilidade pra nossa terrinha,

Que sente saudade da água que tinha

No poço, no açude, no riacho e no ar.

Do jeito que vai, onde vamos parar?!

Pelo visto o poeta se precipitou.

Pois o mar em sertão não se transformou.

Quem dirá o sertão transformar-se no mar!





Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abril/2010




Fotografia
(Faz.Boris - Ipu/CE):
Ricardo Aragão




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4/07/2010

CASARÕES DO IPU

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CASAS DE BITIÃO E ANTÔNIO MARTINS







Por Boris (em 13.05.2007)




Este cantinho do “Quadro da Igrejinha” tem muita coisa em comum para mim e Celininha, minha esposa. À esquerda, já totalmente descaracterizada, a casa onde nasceu meu pai Bitião e todos nós, filhos dele e de nossa saudosa mãe Anna Cavalcante Aragão (Dª Nana). No canto, ao lado do velho sobrado da Rua da Goela, a casa do seu Antônio Carvalho Martins e Dª Auri Lourenço Martins. Naquele recanto, moramos anos e anos, lado a lado, numa saudável e amistosa vizinhança, convivendo quase fraternalmente uma amizade sincera e respeitosa. Não sabíamos, contudo, eu e Celininha, que o destino reservava para nós a continuidade daquela feliz convivência, inobistante o que pudesse acontecer com nossas casas do “Quadro da Igrejinha”. Elas mudaram de donos, mudaram de aparência, mas, continuam muito vivas na história do Ipu. A casa do seu Bitião e a casa do seu Antônio Martins, principalmente para nós, Celininha e eu, que, mesmo involuntariamente, começamos a nos conhecer ali, na sombra acolhedora do velho tamarineiro, e quem sabe, despertando para um sentimento maior, até então não identificado, que somente alguns anos depois, quando já separados pela distância, voltamos a nos aproximar, desta vez unindo-nos para sempre, sabendo o que realmente queríamos, consolidando a felicidade que nos fora reservada e que generosamente dividimos com os nossos filhos que hoje repartem com nossos netos. Esse é o nosso grande patrimônio, a herança deixada pelos nossos antepassados, do sentido verdadeiro da família e o vínculo permanente às nossas raízes.




Boris & Celininha




Antônio Tarcízio Aragão (Boris), nasceu no Ipu em 07/11/1940. Trabalhou por 28 anos ininterruptos na agência do Banco do Brasil de sua terra natal, onde se aposentou, intensificando sua atenção à atividade agro-pastoril, que o levou, por duas vezes, a assumir a Secretaria Municipal de Agricultura de Ipu. Nas letras, publicou diversas crônicas em jornais e páginas eletrônicas de Ipu. Em janeiro de 2009, foi convidado para a Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes – AILCA, ocupando a cadeira nº 28 por pouco tempo, pois faleceu em abril daquele ano, vitimado pelo câncer. Boris deixou um legado de dignidade, honradez e, acima de tudo, respeito pelas pessoas e por sua terra natal, Ipu. (Ricardo Aragão)




Postado por:

Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abr/2010



Redação:
Boris




Fotografia e Edição:
Ricardo Aragão


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4/05/2010

QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA!

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Como é rica a Natureza
Precisa só olhar pro lado
E ver quanta coisa bela
Que nos foi presenteado
Por Deus-Pai, Nosso Senhor
Com ternura e muito amor
Obrigado, Pai amado!

Olhando pro céu eu vejo
Nuvens de chuva a cair
E a molhar o chão tão seco
E esturricado daqui
Deste tão vasto sertão
Do Ceará, do Maranhão
Da Paraíba e Piauí

Chove chuva, mas vem logo
Molha depressa este chão
Com tuas gotas milagrosas
Abrandando a sequidão
Só Deus de grande candura
Pra nos dar toda a fartura
Com a chuva no sertão

O sertanejo, tão bravo
Trabalhador destemido
Que no seco limpa o chão
Sendo sempre prevenido
Esperando trovejar
E tão logo choviscar
Pro chão ficar embebido

Só depois vai lá plantar
Com toda fé e esperança
E dos grãos vai esperar
Muita fartura e bonança
Acabou-se o seu tormento
Tá garantido o sustento
Quem espera sempre alcança!



Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abril/10




Fotos / Montagem
(Faz. Boris e Sítio Lagoa):
Ricardo Aragão


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4/04/2010

A FAMA DO MEU IPU

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No sopé da Ibiapaba,

Serra Grande do sertão

Fica uma bela cidade

Não duvide disso não

Terra boa e de fartura

De beleza e formosura

É o Ipu, o meu torrão



Ipu é terra de sorte

"Um pedacinho do céu"

Onde corre o Ipuçaba

Formando bonito véu

Água doce e serena

Que banhou a Iracema

“Virgem dos lábios de mel”



Assim Ipu fez história

Contada por todo canto

No romance de Alencar

Obra de grande encanto

Quem diria que um lugar

No sertão do Ceará

Fosse famoso des’tanto?!




Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abril/09


Fotografia
(Quadro da Igrejinha):
Enio Aragão


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3/29/2010

NOSSO IPU É UMA TERRA DE RESPEITO

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MERECE TODA NOSSA GRATIDÃO!








Eu fico triste em ver a minha terra,
Vítima nas mãos dessa gente má.
Para quem é filho desse bom lugar,
Encravado no pé da grande serra,
Todas as lembranças ele enterra
Ao constatar com dor no coração,
Que botaram abaixo um casarão.
Como pode maldade desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Essa tristeza é ainda bem maior
Olhando para nossa bela Bica,
Que todo mês de setembro ela fica,
Fica tão seca ou por certo bem pior.
Sem o seu véu na pedra nua dá é dó!
Retorna aquela dor no coração.
Haverá nesse mundo um só cristão,
Que queira ver a Bica desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Quando descemos um pouco a ladeira,
Vemos, cá mais pra baixo, o Ipuçaba.
Que tal qual nossa Bica, já se acaba,
Pois a coisa não tá pra brincadeira.
Talvez estejamos na derradeira
Linhagem, família ou geração,
Que terá esse riacho em seu torrão.
Nosso lugar jamais será perfeito!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Como se não bastasse tal cenário,
Com essas perdas tão preocupantes,
Os valores que já tivemos antes
Ficam mais lá no fundo do armário.
O jovem não tem mais itinerário.
Cada dia tá ficando mais bobão.
Passa o tempo ouvindo um “paredão”!
Como pode dar certo desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Outro dia, ao passar por uma calçada,
Das rodas de conversas recordei.
Eram assuntos que nem mais eu sei.
Mas me lembro de tantas gargalhadas
E daquelas conversas engraçadas,
Contadas no sopé daquele oitão.
Volta de novo a dor no coração,
Da saudade que me bate no peito.
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Entristeço em ver minha cidade,
Com jovens sem história pra contar.
Nem da Iracema poderão falar!
E que mesmo cursando faculdade,
Cometem na vida grande maldade.
Pois esquecem, cada um, ser guardião
Das coisas boas deste nosso torrão.
Mas será mesmo se isso está direito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!



Ricardo Aragão
Ipu, março/2010




Foto e Edição:
Ricardo Aragão


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1/13/2010

MEU DOCE TEMPO DE CRIANÇA

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Por Ricardo Aragão






No meu tempo de criança,
Era grande a animação.
Um magote de minino,
Do pequeno ao grandão,
Não faltava brincadeira,
Conversando só besteira,
Aprontando malinação.

Das brincadeiras da época,
De todas me lembro bem.
Trinta e um ou esconder,
Da fedora lembro também.
Brincar de caiu-no-poço
Causava grande alvoroço
Quando beijava-se alguém!

No nosso Sítio Lagoa,
Tinha muita aventura!
Tirava-se mel de abelha
Sem nenhuma armadura!
Ferroadas eram tantas,
Eu levei não sei nem quantas,
Mas valia pela fartura.

Ao chegarmos da escola,
Antes mesmo de almoçar,
O destino era o riacho
Pra brincar e se banhar.
E a danação não parava,
De tudo ali se brincava
Até a mamãe nos chamar.

“Passa pra casa menino,
Que o almoço tá servido.
Passa logo, tô chamando!
Deixa de ser maluvido!
Te alui e vem almoçar,
Pois depois vai estudar!”
Tava dado aquele aviso

Depois de tanta aventura,
Com a fome a maltratar,
Aquela comida quentinha
Mais parecia um manjar!
Arroz com carne e feijão
Ou então um bom baião,
Água na boca ainda dá.

Um tempo maravilhoso,
Na minha infância passei!
E vida melhor no mundo,
Como adulto eu não terei.
Mas carrego na lembrança
O meu tempo de criança,
Que jamais esquecerei!

Esse tempo já passou.
Pois o tempo só avança!
Daqueles dias tão bons,
Período de esperança,
Só me resta a saudade
De tão doce mocidade...
De uma vida tão mansa!



Ricardo Aragão
Ipu, Jan/2010


* Foto (Riacho Ipuçaba
Sítio Lagoa - Ipu/CE)
Ricardo Aragão


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5/01/2009

BORIS

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UMA HISTÓRIA, UMA SAUDADE!







Contarei uma história
De alguém muito querido.
Homem simples e bondoso
Que não será esquecido.
Vou falar do cidadão
Antônio Tarcizio Aragão.
Foi Boris, seu apelido.

O Boris é de uma família
Muito simples, é verdade.
Gente de bom coração,
Caráter e honestidade.
Foi filho do Bitião
E da Nana Aragão,
Duas pessoas de bondade.

E nesse lar tão simplório,
Porém de muito amor,
Foi que Bitião e Nana
Ensinaram o valor
Das coisas que a vida tem,
Procurando fazer o bem
Sem vacilo e sem temor.

E assim seguiram a vida,
Sem tanta facilidade,
Mas criaram os seus filhos
Com grande dignidade,
Respeito e muito amor,
Carinho, zelo e louvor,
Desde tenra mocidade.

Foi nessa boa família
Que Tarcízio Aragão
Teve as primeiras aulas
De toda sua formação.
Sendo sempre caridoso,
Honesto e muito bondoso.
Um honrado cidadão.

Muita coragem e garra,
Ele sempre demonstrou.
Pois em sua mocidade,
O Boris se apaixonou
Pela filha do “Bodão”,
O Antônio Martinzão,
A quem sempre respeitou.

Até aí tudo bem,
É normal se apaixonar.
Mas precisava o Boris,
Pegar a moça e roubar?!
Logo a filha do “Bodão”!
Aquele homenzarrão!
Sem nem sequer namorar?!

Pois veja só, caro amigo,
Do que o amor é capaz:
Precisa ter muito peito,
Ser esperto e sagaz,
Pra fazer como o Boris,
Desejando ser feliz,
Casar e viver em paz.

Fugindo com a Celininha,
Nas barbas do Martinzão,
Deixando guardada a moça
Na casa de um amigão,
Para o baile ele voltou,
Onde o “Bodão” lhe pegou,
Querendo uma explicação.

- Cadê minha filha, seu cabra!
Antônio Martins perguntou
Com tremendo vozeirão,
Que a todos espantou.
Mas o Boris, sem piscar,
Passou logo a afirmar:
- O meu amigo guardou!

E foi assim, minha gente,
Como tudo começou.
Do enlace do casal,
Linda família brotou:
Seis filhos muito unidos
E pelos pais, tão queridos,
Que Jesus abençoou.

Veja bem, caro leitor!
Preste muita atenção!
Depois de falar um pouco
Do filho do Bitião,
E de como foi sua lida
Ao longo de sua vida,
Você vai me dar razão.

Falar dele é muito fácil!
Um grande amigo bradou.
Pois sendo bondoso e justo,
E que a todos ajudou,
Como é que desse tal,
Alguém pode falar mal?
Pelo menos, eu não vou!

Um homem certo e ordeiro.
Muito amigo e de paz.
São algumas qualidades
Que este poeta traz,
Pra traduzir o Boris,
Mas como o ditado diz:
Será que serei capaz?

Afinal eu sou suspeito
Pra falar de um cidadão,
Que com sua simplicidade,
Fez de cada, um irmão.
Pois era meu genitor,
Um pai cheio de amor
E de enorme coração!

Um pai que sempre manteve
Em cada ato, coerência.
Sem largar mão da ternura,
Exigiu sempre decência
Dos seis filhos amados,
Todos seis bem educados,
A quem lhes passou vivência.

Uma vivência profunda,
Em todo momento seu,
O Boris passou aos filhos
E cada um compreendeu,
O verdadeiro valor
E o sentido do amor,
Que um a um ele deu.

Na universidade da vida
Ele foi um professor.
Ensinando à sua família,
Com afinco e com fervor,
A caminhar sempre em frente,
Mostrando como ser gente
Neste mundo de horror.

Ao perceber algum erro,
Ele dava uma lição:
Vê se aprende a viver
Ouvindo o teu coração!
Meu legado vai contigo.
Deus te livre do perigo
Nos caminhos deste chão!

No campo profissional,
Inteligência mostrou.
A alguns colegas seus,
O trabalho ele ensinou.
E mesmo com competência,
Recusou até gerência:
- Sair do Ipu eu não vou!

Pra você ter uma idéia
Da tamanha devoção,
Que teve o nosso Boris
Por seu querido torrão,
Para não ser removido,
Deixou de ser promovido,
Ficando aqui neste chão.

O Boris era assim.
Amava com intensidade!
Apegava-se às coisas,
Às pessoas e à cidade.
E a todos o bem fazia,
Com carinho e alegria,
Dedicação e amizade!

Mais que um pai, um amigo!
Mais que amigo, um irmão!
Não existe em mil palavras
O que lhe dê tradução!
Uma luz de grande brilho,
No alto do céu foi seu trilho,
Lhe mostrando a direção.

Sua missão foi cumprida!
E por nós será lembrada.
Fique certo, pai querido,
Que sua família amada,
Seu exemplo levará
Em qualquer lugar que vá
Nessa grande caminhada!

Da dor, cuida o tempo.
Da saudade, o coração.
Os entes que aqui deixou
Jamais o esquecerão!
Pois olhando para cima,
Verão sempre a luz divina
Que o levou deste chão.

Essa luz de tanto brilho,
Que a todos surpreendeu,
Na forma de um arco-íris,
Que no céu apareceu,
Pareceu divina luz.
O chamado de Jesus!
Que você obedeceu.

Segue a luz, pai querido!
Vai pra perto do senhor.
E saiba que aqui cumpriu
Sua missão com louvor.
Nos trazendo alegria,
Ensinando a cada dia,
Como viver com amor!

Nossa mãe, querido pai,
Sua esposa amada,
Agora tem grande meta:
Nos guiar nessa jornada!
E assim caminharemos,
E juntos nós chegaremos
No final dessa estrada!

Nessa estrada que você
Ao nosso lado andava;
Que em cada obstáculo,
A nossa mão segurava.
Nos fazendo superar,
Sem medo algum de errar,
O que nos desafiava!

E por tudo isso, pai,
Mesmo com tanta dor,
Nos despedimos de ti
Com carinho e com amor.
E em breve, com certeza,
Nos sentaremos na mesa,
Lado a lado do senhor!





Até breve, querido e amado pai!



Boris: 07.11.1940 / 23.04.2009


Que seu exemplo e sua luz nos oriente em cada passo que dermos! E que nossa jornada seja profícua como foi a sua! Certamente será bem mais fácil para nós, seus filhos, pois tivemos o privilégio de tê-lo como guia.

Uma singela homenagem de um filho a um pai - Antônio Tarcízio Aragão (Boris) - cujo amor, amizade e respeito, foram sentimentos mútuos, vividos intensamente.



Antônio Tarcízio Aragão (Boris), nasceu em Ipu, no dia 07.11.1940 e faleceu em 23.04.2009, vitimado pelo cãncer. Casou-se com Maria Francelina Martins Aragão (Celininha), com quem teve seis filhos (e seis netos): Ricardo (Tarciana), André (Mariana e Yasmin), Ana Silvia (Beatriz e Tarcízio Neto), Enio, Joel (Amanda) e Maria Celina.






Curiosidade: esta foto foi registrada no céu do Ipu no dia 24 de abril de 2009, por volta de 11:30 horas, no momento em que o corpo do Boris estava sendo sepultado. O tempo estava chuvoso, o que explicaria o arco-íris em torno do sol (embora um tanto incomum). Mas, para nós, esse fenômeno transcendeu as barreiras do natural, pois o brilho que o nosso amado Boris teve ao longo dos seus 68 anos de vida neste mundo foi tanto que, certamente, levou um bocado consigo, refletindo no céu, sua chegada ao lado de Deus!




Sua bênção, pai!


Ricardo Martins Aragão
Abril, 2009.

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1/14/2009

ENIO, BONDOSO IRMÃO

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Estou aqui em Sobral,
Num pequeno apartamento,
Pequeno no seu tamanho
Enorme no acolhimento
É o lar do meu irmão
O querido Enio Aragão
Que a todos trás alento.

Adentrando neste lar
Encontra-se grande paz
Também se tem alegria
Harmonia e muito mais
É a casa do Gordinho
Meu querido irmãozinho
Um bom e nobre rapaz

Quando se chega aqui
Na casa do meu irmão
De tudo se tem um pouco
Risada, consolo e pão
É de fato um bom lugar
Sempre que venho pra cá
Alegra-me o coração.

O Enio é uma pessoa
Das que temos mais querida
Não sabe como fazer
Pra nos dar boa guarida
Com todos é preocupado
Tendo sempre o cuidado
De nos orientar na vida

Quando se deseja rir
No Gordinho é o lugar
Mas se for pra falar sério
Não precisa se enganar
Chegue e puxe o assunto
Que pessoa melhor no mundo
Tenho certeza, não há

Por isso fiz estes versos
Escritos com o coração
Dedicados ao Gordinho
Este meu querido irmão
Que trata a todos com zelo
Respeito, graça, esmero
Carinho e dedicação

Um forte abraço eu deixo
E um beijo no coração
A este ser iluminado
Enio, bondoso irmão
Deus sempre te guiará
E aonde quer que vá
Ele o levará na mão.



Ricardo Aragão
12.01.2009

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