Este espaço foi pensado para divulgar e discutir a Cidade de Ipu/CE de uma forma bem espontânea, através de crônicas, causos, versos, além de opiniões e comentários diversos, tanto do autor, quanto dos nossos visitantes. O blog IPU EM CRÔNICAS E VERSOS, embora com muita humildade, busca também promover as peculiaridades do Nordeste através do cordel, uma das expressões mais originais de nossa cultura. Sejam todos bem-vindos! (Ricardo Aragão)



4/08/2010

OUSADIA DO POETA

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Olhando o nascente sem barra na linha,

Pedimos por chuva no nosso sertão.

Água boa do céu pra molhar nosso chão

E a fertilidade pra nossa terrinha,

Que sente saudade da água que tinha

No poço, no açude, no riacho e no ar.

Do jeito que vai, onde vamos parar?!

Pelo visto o poeta se precipitou.

Pois o mar em sertão não se transformou.

Quem dirá o sertão transformar-se no mar!





Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abril/2010




Fotografia
(Faz.Boris - Ipu/CE):
Ricardo Aragão




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4/07/2010

CASARÕES DO IPU

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CASAS DE BITIÃO E ANTÔNIO MARTINS







Por Boris (em 13.05.2007)




Este cantinho do “Quadro da Igrejinha” tem muita coisa em comum para mim e Celininha, minha esposa. À esquerda, já totalmente descaracterizada, a casa onde nasceu meu pai Bitião e todos nós, filhos dele e de nossa saudosa mãe Anna Cavalcante Aragão (Dª Nana). No canto, ao lado do velho sobrado da Rua da Goela, a casa do seu Antônio Carvalho Martins e Dª Auri Lourenço Martins. Naquele recanto, moramos anos e anos, lado a lado, numa saudável e amistosa vizinhança, convivendo quase fraternalmente uma amizade sincera e respeitosa. Não sabíamos, contudo, eu e Celininha, que o destino reservava para nós a continuidade daquela feliz convivência, inobistante o que pudesse acontecer com nossas casas do “Quadro da Igrejinha”. Elas mudaram de donos, mudaram de aparência, mas, continuam muito vivas na história do Ipu. A casa do seu Bitião e a casa do seu Antônio Martins, principalmente para nós, Celininha e eu, que, mesmo involuntariamente, começamos a nos conhecer ali, na sombra acolhedora do velho tamarineiro, e quem sabe, despertando para um sentimento maior, até então não identificado, que somente alguns anos depois, quando já separados pela distância, voltamos a nos aproximar, desta vez unindo-nos para sempre, sabendo o que realmente queríamos, consolidando a felicidade que nos fora reservada e que generosamente dividimos com os nossos filhos que hoje repartem com nossos netos. Esse é o nosso grande patrimônio, a herança deixada pelos nossos antepassados, do sentido verdadeiro da família e o vínculo permanente às nossas raízes.




Boris & Celininha




Antônio Tarcízio Aragão (Boris), nasceu no Ipu em 07/11/1940. Trabalhou por 28 anos ininterruptos na agência do Banco do Brasil de sua terra natal, onde se aposentou, intensificando sua atenção à atividade agro-pastoril, que o levou, por duas vezes, a assumir a Secretaria Municipal de Agricultura de Ipu. Nas letras, publicou diversas crônicas em jornais e páginas eletrônicas de Ipu. Em janeiro de 2009, foi convidado para a Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes – AILCA, ocupando a cadeira nº 28 por pouco tempo, pois faleceu em abril daquele ano, vitimado pelo câncer. Boris deixou um legado de dignidade, honradez e, acima de tudo, respeito pelas pessoas e por sua terra natal, Ipu. (Ricardo Aragão)




Postado por:

Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abr/2010



Redação:
Boris




Fotografia e Edição:
Ricardo Aragão


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4/05/2010

QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA!

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Como é rica a Natureza
Precisa só olhar pro lado
E ver quanta coisa bela
Que nos foi presenteado
Por Deus-Pai, Nosso Senhor
Com ternura e muito amor
Obrigado, Pai amado!

Olhando pro céu eu vejo
Nuvens de chuva a cair
E a molhar o chão tão seco
E esturricado daqui
Deste tão vasto sertão
Do Ceará, do Maranhão
Da Paraíba e Piauí

Chove chuva, mas vem logo
Molha depressa este chão
Com tuas gotas milagrosas
Abrandando a sequidão
Só Deus de grande candura
Pra nos dar toda a fartura
Com a chuva no sertão

O sertanejo, tão bravo
Trabalhador destemido
Que no seco limpa o chão
Sendo sempre prevenido
Esperando trovejar
E tão logo choviscar
Pro chão ficar embebido

Só depois vai lá plantar
Com toda fé e esperança
E dos grãos vai esperar
Muita fartura e bonança
Acabou-se o seu tormento
Tá garantido o sustento
Quem espera sempre alcança!



Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abril/10




Fotos / Montagem
(Faz. Boris e Sítio Lagoa):
Ricardo Aragão


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4/04/2010

A FAMA DO MEU IPU

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No sopé da Ibiapaba,

Serra Grande do sertão

Fica uma bela cidade

Não duvide disso não

Terra boa e de fartura

De beleza e formosura

É o Ipu, o meu torrão



Ipu é terra de sorte

"Um pedacinho do céu"

Onde corre o Ipuçaba

Formando bonito véu

Água doce e serena

Que banhou a Iracema

“Virgem dos lábios de mel”



Assim Ipu fez história

Contada por todo canto

No romance de Alencar

Obra de grande encanto

Quem diria que um lugar

No sertão do Ceará

Fosse famoso des’tanto?!




Ricardo Aragão
Ipu(CE), Abril/09


Fotografia
(Quadro da Igrejinha):
Enio Aragão


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3/29/2010

NOSSO IPU É UMA TERRA DE RESPEITO

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MERECE TODA NOSSA GRATIDÃO!








Eu fico triste em ver a minha terra,
Vítima nas mãos dessa gente má.
Para quem é filho desse bom lugar,
Encravado no pé da grande serra,
Todas as lembranças ele enterra
Ao constatar com dor no coração,
Que botaram abaixo um casarão.
Como pode maldade desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Essa tristeza é ainda bem maior
Olhando para nossa bela Bica,
Que todo mês de setembro ela fica,
Fica tão seca ou por certo bem pior.
Sem o seu véu na pedra nua dá é dó!
Retorna aquela dor no coração.
Haverá nesse mundo um só cristão,
Que queira ver a Bica desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Quando descemos um pouco a ladeira,
Vemos, cá mais pra baixo, o Ipuçaba.
Que tal qual nossa Bica, já se acaba,
Pois a coisa não tá pra brincadeira.
Talvez estejamos na derradeira
Linhagem, família ou geração,
Que terá esse riacho em seu torrão.
Nosso lugar jamais será perfeito!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Como se não bastasse tal cenário,
Com essas perdas tão preocupantes,
Os valores que já tivemos antes
Ficam mais lá no fundo do armário.
O jovem não tem mais itinerário.
Cada dia tá ficando mais bobão.
Passa o tempo ouvindo um “paredão”!
Como pode dar certo desse jeito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Outro dia, ao passar por uma calçada,
Das rodas de conversas recordei.
Eram assuntos que nem mais eu sei.
Mas me lembro de tantas gargalhadas
E daquelas conversas engraçadas,
Contadas no sopé daquele oitão.
Volta de novo a dor no coração,
Da saudade que me bate no peito.
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!


Entristeço em ver minha cidade,
Com jovens sem história pra contar.
Nem da Iracema poderão falar!
E que mesmo cursando faculdade,
Cometem na vida grande maldade.
Pois esquecem, cada um, ser guardião
Das coisas boas deste nosso torrão.
Mas será mesmo se isso está direito?!
Nosso Ipu é uma terra de respeito.
Merece toda nossa gratidão!



Ricardo Aragão
Ipu, março/2010




Foto e Edição:
Ricardo Aragão


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1/13/2010

MEU DOCE TEMPO DE CRIANÇA

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Por Ricardo Aragão






No meu tempo de criança,
Era grande a animação.
Um magote de minino,
Do pequeno ao grandão,
Não faltava brincadeira,
Conversando só besteira,
Aprontando malinação.

Das brincadeiras da época,
De todas me lembro bem.
Trinta e um ou esconder,
Da fedora lembro também.
Brincar de caiu-no-poço
Causava grande alvoroço
Quando beijava-se alguém!

No nosso Sítio Lagoa,
Tinha muita aventura!
Tirava-se mel de abelha
Sem nenhuma armadura!
Ferroadas eram tantas,
Eu levei não sei nem quantas,
Mas valia pela fartura.

Ao chegarmos da escola,
Antes mesmo de almoçar,
O destino era o riacho
Pra brincar e se banhar.
E a danação não parava,
De tudo ali se brincava
Até a mamãe nos chamar.

“Passa pra casa menino,
Que o almoço tá servido.
Passa logo, tô chamando!
Deixa de ser maluvido!
Te alui e vem almoçar,
Pois depois vai estudar!”
Tava dado aquele aviso

Depois de tanta aventura,
Com a fome a maltratar,
Aquela comida quentinha
Mais parecia um manjar!
Arroz com carne e feijão
Ou então um bom baião,
Água na boca ainda dá.

Um tempo maravilhoso,
Na minha infância passei!
E vida melhor no mundo,
Como adulto eu não terei.
Mas carrego na lembrança
O meu tempo de criança,
Que jamais esquecerei!

Esse tempo já passou.
Pois o tempo só avança!
Daqueles dias tão bons,
Período de esperança,
Só me resta a saudade
De tão doce mocidade...
De uma vida tão mansa!



Ricardo Aragão
Ipu, Jan/2010


* Foto (Riacho Ipuçaba
Sítio Lagoa - Ipu/CE)
Ricardo Aragão


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5/01/2009

BORIS

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UMA HISTÓRIA, UMA SAUDADE!







Contarei uma história
De alguém muito querido.
Homem simples e bondoso
Que não será esquecido.
Vou falar do cidadão
Antônio Tarcizio Aragão.
Foi Boris, seu apelido.

O Boris é de uma família
Muito simples, é verdade.
Gente de bom coração,
Caráter e honestidade.
Foi filho do Bitião
E da Nana Aragão,
Duas pessoas de bondade.

E nesse lar tão simplório,
Porém de muito amor,
Foi que Bitião e Nana
Ensinaram o valor
Das coisas que a vida tem,
Procurando fazer o bem
Sem vacilo e sem temor.

E assim seguiram a vida,
Sem tanta facilidade,
Mas criaram os seus filhos
Com grande dignidade,
Respeito e muito amor,
Carinho, zelo e louvor,
Desde tenra mocidade.

Foi nessa boa família
Que Tarcízio Aragão
Teve as primeiras aulas
De toda sua formação.
Sendo sempre caridoso,
Honesto e muito bondoso.
Um honrado cidadão.

Muita coragem e garra,
Ele sempre demonstrou.
Pois em sua mocidade,
O Boris se apaixonou
Pela filha do “Bodão”,
O Antônio Martinzão,
A quem sempre respeitou.

Até aí tudo bem,
É normal se apaixonar.
Mas precisava o Boris,
Pegar a moça e roubar?!
Logo a filha do “Bodão”!
Aquele homenzarrão!
Sem nem sequer namorar?!

Pois veja só, caro amigo,
Do que o amor é capaz:
Precisa ter muito peito,
Ser esperto e sagaz,
Pra fazer como o Boris,
Desejando ser feliz,
Casar e viver em paz.

Fugindo com a Celininha,
Nas barbas do Martinzão,
Deixando guardada a moça
Na casa de um amigão,
Para o baile ele voltou,
Onde o “Bodão” lhe pegou,
Querendo uma explicação.

- Cadê minha filha, seu cabra!
Antônio Martins perguntou
Com tremendo vozeirão,
Que a todos espantou.
Mas o Boris, sem piscar,
Passou logo a afirmar:
- O meu amigo guardou!

E foi assim, minha gente,
Como tudo começou.
Do enlace do casal,
Linda família brotou:
Seis filhos muito unidos
E pelos pais, tão queridos,
Que Jesus abençoou.

Veja bem, caro leitor!
Preste muita atenção!
Depois de falar um pouco
Do filho do Bitião,
E de como foi sua lida
Ao longo de sua vida,
Você vai me dar razão.

Falar dele é muito fácil!
Um grande amigo bradou.
Pois sendo bondoso e justo,
E que a todos ajudou,
Como é que desse tal,
Alguém pode falar mal?
Pelo menos, eu não vou!

Um homem certo e ordeiro.
Muito amigo e de paz.
São algumas qualidades
Que este poeta traz,
Pra traduzir o Boris,
Mas como o ditado diz:
Será que serei capaz?

Afinal eu sou suspeito
Pra falar de um cidadão,
Que com sua simplicidade,
Fez de cada, um irmão.
Pois era meu genitor,
Um pai cheio de amor
E de enorme coração!

Um pai que sempre manteve
Em cada ato, coerência.
Sem largar mão da ternura,
Exigiu sempre decência
Dos seis filhos amados,
Todos seis bem educados,
A quem lhes passou vivência.

Uma vivência profunda,
Em todo momento seu,
O Boris passou aos filhos
E cada um compreendeu,
O verdadeiro valor
E o sentido do amor,
Que um a um ele deu.

Na universidade da vida
Ele foi um professor.
Ensinando à sua família,
Com afinco e com fervor,
A caminhar sempre em frente,
Mostrando como ser gente
Neste mundo de horror.

Ao perceber algum erro,
Ele dava uma lição:
Vê se aprende a viver
Ouvindo o teu coração!
Meu legado vai contigo.
Deus te livre do perigo
Nos caminhos deste chão!

No campo profissional,
Inteligência mostrou.
A alguns colegas seus,
O trabalho ele ensinou.
E mesmo com competência,
Recusou até gerência:
- Sair do Ipu eu não vou!

Pra você ter uma idéia
Da tamanha devoção,
Que teve o nosso Boris
Por seu querido torrão,
Para não ser removido,
Deixou de ser promovido,
Ficando aqui neste chão.

O Boris era assim.
Amava com intensidade!
Apegava-se às coisas,
Às pessoas e à cidade.
E a todos o bem fazia,
Com carinho e alegria,
Dedicação e amizade!

Mais que um pai, um amigo!
Mais que amigo, um irmão!
Não existe em mil palavras
O que lhe dê tradução!
Uma luz de grande brilho,
No alto do céu foi seu trilho,
Lhe mostrando a direção.

Sua missão foi cumprida!
E por nós será lembrada.
Fique certo, pai querido,
Que sua família amada,
Seu exemplo levará
Em qualquer lugar que vá
Nessa grande caminhada!

Da dor, cuida o tempo.
Da saudade, o coração.
Os entes que aqui deixou
Jamais o esquecerão!
Pois olhando para cima,
Verão sempre a luz divina
Que o levou deste chão.

Essa luz de tanto brilho,
Que a todos surpreendeu,
Na forma de um arco-íris,
Que no céu apareceu,
Pareceu divina luz.
O chamado de Jesus!
Que você obedeceu.

Segue a luz, pai querido!
Vai pra perto do senhor.
E saiba que aqui cumpriu
Sua missão com louvor.
Nos trazendo alegria,
Ensinando a cada dia,
Como viver com amor!

Nossa mãe, querido pai,
Sua esposa amada,
Agora tem grande meta:
Nos guiar nessa jornada!
E assim caminharemos,
E juntos nós chegaremos
No final dessa estrada!

Nessa estrada que você
Ao nosso lado andava;
Que em cada obstáculo,
A nossa mão segurava.
Nos fazendo superar,
Sem medo algum de errar,
O que nos desafiava!

E por tudo isso, pai,
Mesmo com tanta dor,
Nos despedimos de ti
Com carinho e com amor.
E em breve, com certeza,
Nos sentaremos na mesa,
Lado a lado do senhor!





Até breve, querido e amado pai!



Boris: 07.11.1940 / 23.04.2009


Que seu exemplo e sua luz nos oriente em cada passo que dermos! E que nossa jornada seja profícua como foi a sua! Certamente será bem mais fácil para nós, seus filhos, pois tivemos o privilégio de tê-lo como guia.

Uma singela homenagem de um filho a um pai - Antônio Tarcízio Aragão (Boris) - cujo amor, amizade e respeito, foram sentimentos mútuos, vividos intensamente.



Antônio Tarcízio Aragão (Boris), nasceu em Ipu, no dia 07.11.1940 e faleceu em 23.04.2009, vitimado pelo cãncer. Casou-se com Maria Francelina Martins Aragão (Celininha), com quem teve seis filhos (e seis netos): Ricardo (Tarciana), André (Mariana e Yasmin), Ana Silvia (Beatriz e Tarcízio Neto), Enio, Joel (Amanda) e Maria Celina.






Curiosidade: esta foto foi registrada no céu do Ipu no dia 24 de abril de 2009, por volta de 11:30 horas, no momento em que o corpo do Boris estava sendo sepultado. O tempo estava chuvoso, o que explicaria o arco-íris em torno do sol (embora um tanto incomum). Mas, para nós, esse fenômeno transcendeu as barreiras do natural, pois o brilho que o nosso amado Boris teve ao longo dos seus 68 anos de vida neste mundo foi tanto que, certamente, levou um bocado consigo, refletindo no céu, sua chegada ao lado de Deus!




Sua bênção, pai!


Ricardo Martins Aragão
Abril, 2009.

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1/14/2009

ENIO, BONDOSO IRMÃO

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Estou aqui em Sobral,
Num pequeno apartamento,
Pequeno no seu tamanho
Enorme no acolhimento
É o lar do meu irmão
O querido Enio Aragão
Que a todos trás alento.

Adentrando neste lar
Encontra-se grande paz
Também se tem alegria
Harmonia e muito mais
É a casa do Gordinho
Meu querido irmãozinho
Um bom e nobre rapaz

Quando se chega aqui
Na casa do meu irmão
De tudo se tem um pouco
Risada, consolo e pão
É de fato um bom lugar
Sempre que venho pra cá
Alegra-me o coração.

O Enio é uma pessoa
Das que temos mais querida
Não sabe como fazer
Pra nos dar boa guarida
Com todos é preocupado
Tendo sempre o cuidado
De nos orientar na vida

Quando se deseja rir
No Gordinho é o lugar
Mas se for pra falar sério
Não precisa se enganar
Chegue e puxe o assunto
Que pessoa melhor no mundo
Tenho certeza, não há

Por isso fiz estes versos
Escritos com o coração
Dedicados ao Gordinho
Este meu querido irmão
Que trata a todos com zelo
Respeito, graça, esmero
Carinho e dedicação

Um forte abraço eu deixo
E um beijo no coração
A este ser iluminado
Enio, bondoso irmão
Deus sempre te guiará
E aonde quer que vá
Ele o levará na mão.



Ricardo Aragão
12.01.2009

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12/08/2008

A LIÇÃO DO SERTANEJO

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ENTREVISTANDO O SEU TENÓRIO






A você que nesta hora
Estes versos passa a ler
Sem ter muito interesse
Espere para entender
Pois eu vou lhe avisando
Vá logo se preparando
Pra uma lição receber

Estas mal postadas rimas
Podem até não ter valor
Para aquele que se acha
Um empresário ou doutor
Porém pro cabra da peste
Que de gibão só se veste
Elas têm muito valor

Pois o povo do sertão
Que passa dificuldade
Que na roça lavra o chão
Sem qualquer facilidade
E sem ter divertimento
Vive nesse tormento
Sem lamento e sem maldade

Para esse povo é que faço
Este poema simplório
Por isso mantendo a rima
Mudarei o repertório
Passarei a relatar
A história d’um lugar
E do sertanejo Tenório

Seu Tenório dê licença
Vim aqui lhe perturbar
Vou fazer umas perguntas
Quero ouvir você falar
Me conte dessa sua lida
E da sua forma de vida
Para eu documentar

Seu dotô preguntadô
No que eu posso ajudá
Eu tenho pôco istudo
Vós mincê há de notá
Mode o jeito que eu falo
Mas se for nesse imbalo
Passe logo a preguntá


Eu me chamo Aragão
Sou escritor de cordel
E preciso entender
Pra colocar no papel
Essa vida do sertão
E também do coração
Do sertanejo fiel

Muito prazê iscritô
Dos verso mais naturá
Vou lhe falar sim sinhô
Faça o favô de sentá
Que a cunversa é cumprida
Vou já lhe falar da vida
No sertão do Ciará

Nossa labuta é penosa
Se acorda de madrugada
Pra prepará um café
Prus minino e pra amada
Fazê o quebra-jejum
Imprial não tem nenhum
Pra güentá a inxada

Quando o sol vem apontando
E raiando no nascente
Eu pego o meu alforje
E saio bem de repente
Pra capinar o roçado
E mesmo muito cansado
Passo o dia bem contente

Eu sinto filicidade
E não perco a isperança
De cuiê grande fartura
Mas sem ter munta ganança
Apois não faltando o feijão
Pra nóis de cá do sertão
Já é grande abundança

Mas a lida é bem dura
Neste meu grande sertão
Que sofre com seca braba
Esturricando esse chão
As água seca dos pôço
Eu vou lhe dizer, seu moço,
Não queira esta vida não!

Aqui se pranta de tudo
Arroz, mio e fejão
Se pranta a macaxeira
E tombém o algodão
Mas no tempo de escassez
O cabra pensa de vez
Ir simbora do sertão

Porém esse pensamento
Foge logo da lembrança
Quando no fim do ano
Se apuluma a isperança
Com as tôrre no nascente
E os ráio reluzente
Com o inverno que avança

O sertanejo se anima
E cumeça a pranejá
A prepará um terreno
Pra cumeçá a brocá
Vai procurá o patrão
Com o machado na mão
Prumode ele autorizá

Prante naquele pedaço
Na solta do alazão
A terra é boa e macia
Assim disse o patrão
Mas limpe o mato com jeito
Prumode ficar sem defeito
Aquele pedaço de chão

Dessa forma o cabôco
Vai bastante alvoroçado
Amolar a sua foice
E também o seu machado
E pra solta vai tocar
Levando seu patuá
Com zelo e muito cuidado

Leva também o seu fio
Que já se tornou rapaz
Aprendendo a trabaiá
Vendo o que seu pai faz
Na lida de todo dia
Era a lição que valia
Pra mostrá que é capaz

Assim começa a peleja
Como tudo aqui no norte
Porém oiando o nascente
E vendo o chegá da sorte
Com a barra preparando
E o inverno avizinhando
Se isquece inté da morte!

A broca cumeça cedo
Pau fino, garrancho e tora
A inxada e o machado
Num para nenhuma hora
E assim vamu levando
Um eito deste tamanho
E adispois vamu simbora

O sol já esconde a cara
É chegado o intardicê
Os cabra recói os ferro
Já querendo ismurecê
Apois a lida foi dura
Só farinha e rapadura
Foi o nosso dicumê!

E assim seguimo a vida
Trabaiano o dia intêro
Oiando para o nascente
E pidindo pra São Pedro
Nos trazê muita bonança
Nunca morre a isperança
Desse povo brasilêro


Seu Tenório, então me diga,
Me fale com experiência.
E quando chega o inverno,
Como fica essa vivência?
Pois a lida continua.
É fato, não atenua.
Narre sua existência.

Fica tudo uma maravia
Quando chove no sertão!
Das simente qui prantamo
Na solta do alazão
A perda foi bem pequena
Até vou tirar uma renda
E mandá para o patrão

Agora temo fartura
Arroz, mio e fejão
Dá inté pra ingordá
Umas quatro criação
Na panela tem comida
As coisa boa da vida
O cabra tira é do chão

E a sobra vou vendê
E com o dinhêro comprá
Um retaio pra muié
Se vistir e se arrumá
O terrêro vou varrê
E o forró vai é cumê
Inté o dia raiá!

E agora seu dotô
Penso que já respondi
As pregunta que me fez
Do que sei, do que vivi
Da vida dura do norte
Deste cabôco forte
E das coisa que senti

Me adisculpe o mal jeito
E também a ignorança
Deste cabra do sertão
Que puxou pela lembrança
As palavra mais certêra
Da primêra à derradêra
Pra responder com elegança


Mas que nada, Seu Tenório,
Por ser cabra do sertão,
Não torna sem importância
As respostas dadas não.
Pois mesmo sem expressar
Um correto linguajar,
O senhor me deu lição!

Me mostrou que nesta vida,
Seja pobre ou doutor,
A correta atitude,
A que tem grande valor,
É o que se trás no peito,
Tendo sempre o respeito
Pelo que se tem amor.

O senhor também me fez
No ser humano apostar.
Com sabença ou sem estudo,
Isso não vai importar.
Pois pra ser conhecedor,
Sendo pobre ou doutor,
Não precisa estudar.

Basta só olhar o mundo
Com bastante atenção.
E observando tudo
Se tira grande lição.
Sem deixar a humildade,
Nem cometer a maldade
De achar que é sabidão.

Nada sei é o que eu sei,
Assim disse o pensador.
Aquele que é sabido
E se acha um doutor,
Devia ir pro sertão,
Trabalhar naquele chão
Pra saber do seu valor!

Sou Ricardo Aragão.
Já me dou por satisfeito.
E encerro este cordel,
Que mesmo sem ser perfeito,
Expressei com o coração,
Ao falar do meu sertão
Com carinho e com respeito!



Ricardo Aragão
Ipu, 08.12.2008



Edição de imagem: Ricardo Aragão
Fonte da imagem original: http://forademoda.wordpress.com/2007/07/10/a-moda-somos-nozes/


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10/15/2008

"O BANCO"

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O ASSENTO DA DISCÓRDIA!






Mas que banco é esse?!

Um banco comum de praça, situado na alameda central da Avenida Vereador Francisco das Chagas Farias, mais conhecida como “Avenida da Municipalidade” ou “Rua do Papoco”, quase na confluência com a Rua Antônio Martins, em Ipu.

A história desse banco é jocosa!

Havia algum tempo, alguns senhores, residentes próximos, adotaram o controvertido assento como o local de encontros noturnos para fins de falatório, mais precisamente politicagens. Eis que “O Banco” passou a ser cada vez mais freqüentado não apenas por aqueles senhores de mais idade, mas também por pessoas mais jovens, tanto residentes próximos como das circunvizinhanças da referida avenida e, por fim, de toda a cidade. O Banco tornara-se eclético!

Com a proximidade das eleições municipais, a roda de pessoas em torno d’O Banco aumentava a cada dia! Tanto quanto sua popularidade. Sobretudo por uma peculiaridade: a predominância, para não dizer exclusividade, de pessoas ligadas a uma determinada facção política de Ipu.

“O Banco” passou a ser o local preferido de encontros dos partidários daquele grupo e todo fato que dizia respeito à política local era tratado primeiramente n’O Banco’, depois se espalhava pelo resto da cidade. Histórias de pré-candidatos, jogadas políticas, viradas, traições partidárias, etc, tudo era assunto de primeira importância n’O Banco’. Há quem diga, inclusive, que dali saíram decisões e conchavos importantíssimos, depois deliberados mais minuciosamente em locais mais apropriados como salas de reuniões, residências de políticos, etc.

Pois não é que aquele quieto banco (juro, ele não arredou os pés dali!) se tornou peça central das acirradas disputas político-partidárias de Ipu em 2008!

Senão vejamos...

Passadas as eleições... Candidato eleito... Vereadores definidos... Tudo parecia que voltaria ao normal e, finalmente a paz reinaria novamente nas ruas de Ipu. Não fosse por um pequeno problema: a ala política que venceu as eleições majoritárias na cidade, alcunhados de “Jacarés”, não É a mesma que freqüentava “O Banco” tradicionalmente, os “Pica-paus”. Resultado: conflito!

Alguns correligionários do candidato vencedor resolveram reivindicar o direito de também usarem o famoso banco, afinal ele é público. Mas jacaré e pica-pau nunca se uniram. Quer ver? Assista ao desenho animado!

Evidentemente que “O Banco” ficou no meio das duas tropas. Literalmente!

Logo na noite seguinte à eleição, os “Pica-paus”, inclusive os adeptos d’O Banco’, ressabiados com o resultado negativo das urnas, não arredaram o pé de casa, deixando o pobre banco desguarnecido. Pronto! Foi o suficiente para a histórica “Posse do Banco” organizada pelos “Jacarés”.

Com palavras de ordem do tipo “Hô, hô, hô... esse Banco é um terror!”; “O Banco é nosso, Jacarezada!”; “Xô Passarinho!”; “Sai do Banco, Velhinho!”; entre outras, foi promovida a “Imissão de Posse” d’O Banco’.

A “Queda da Bastilha”, ou melhor, a conquista d’O Banco’, foi marcada com churrasco, bebidas, músicas da campanha vitoriosa, palavras de ordem e fogos. Uma comemoração digna dos grandes feitos! Foi festa até a madrugada de terça-feira, em plena avenida que, naquele dia, mais do que nunca, mereceu o nome de “Rua do Papoco”!

Mas, os originais “donos do banco”, não ficaram nada satisfeitos com a perda de seu ícone. E, num ato de grande ousadia, sobretudo considerando sua condição de vencidos, resolveram reclamar a “Reintegração de Posse” d’O Banco’ e partiram pro “ataque”.

“O Banco” era uma questão de honra pra “Pica-paus” e “Jacarés”!

Na noite seguinte, os “Pica-paus” recuperaram o dito cujo, aproveitando-se da displicência dos “Jacarés”, enfadados da festança.

Daquele dia pra cá, já se passaram vários dias e “O Banco” continua sendo o principal objeto de desejo das “aves” e “répteis”... em regime de “revezamento”!

Um dia “O Banco” é de um grupo. Noutro, de outro! Porém, não sem luta e muita confusão!

O lado triste dessa história hilária é a famigerada violência, pois as agressões físicas tomaram conta do espaço e, tanto de um lado como de outro, há exageros e abusos.

Como resultado, “O Banco” ganhou um novo dono: a Polícia!

Toda noite, duas viaturas da PM, repletas de policiais fortemente armados, se dirigem ao “Assento da Discórdia”, não apenas para salvaguardar o patrimônio público, mas, sobretudo, para acalmar os ânimos dos “Jacarés” e “Pica-paus” que não abrem mãos de lutarem em defesa daquele que, sem dúvida, está sendo mais disputado que a própria prefeitura: advinha quem é?

Ora bolas... “O Banco”!!!


Ricardo Aragão
Ipu/CE, 15.10.08

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